Aliados de Lula cobram mudança de estratégia na política nacional após revés nas urnas
Cresce a pressão interna no PT por uma revisão na condução da campanha presidencial após o desempenho abaixo do esperado no primeiro turno das eleições.
Pressão por mudanças na política nacional após primeiro turno
O cenário eleitoral brasileiro sofreu uma reviravolta que gerou desdobramentos imediatos no núcleo petista. Após o presidente Lula (PT) encerrar o primeiro turno da disputa presidencial atrás de Flávio Bolsonaro, a tensão tomou conta dos bastidores da campanha. Aliados e correligionários iniciaram um processo de autocrítica para ajustar a rota visando o segundo turno, focando em uma análise profunda sobre as falhas na estratégia de comunicação e na exposição da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.
Por que a atuação de Janja gera desconforto no PT?
Durante reuniões estratégicas realizadas nesta semana em Brasília, o protagonismo de Janja tornou-se um ponto de fricção entre os aliados. A ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao PT, foi um dos nomes que vocalizou o descontentamento coletivo ao defender, sob aplausos, uma mudança de foco: "menos Janja e mais Alckmin". A fala reflete o desejo de uma ala do partido em reforçar a imagem do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), como um fiador da estabilidade econômica e da responsabilidade fiscal, pontos cruciais para atrair o eleitorado conservador e indeciso.
Quais são os principais pontos de crítica da base aliada?
Além da visibilidade da primeira-dama, integrantes da executiva do partido manifestaram preocupação com a concentração de poder no PT paulista, tanto na gestão da campanha quanto na influência sobre a Esplanada dos Ministérios. Internamente, houve críticas veladas à forma como a comunicação foi conduzida, incluindo o uso de elementos religiosos em atos de campanha — como o canto de jingles de inspiração gospel —, que, segundo interlocutores, teriam contribuído para o desgaste junto a setores específicos do eleitorado.
A Folha de S.Paulo reportou que, embora o nome da primeira-dama não tenha sido citado nominalmente em todos os momentos dos debates, as referências ao "tapete vermelho" deixaram claro o incômodo com a estratégia de marketing adotada até aqui. Até o momento, a assessoria de Janja não se manifestou oficialmente sobre as críticas, embora tenha indicado anteriormente que a primeira-dama permanece integrada aos esforços de reeleição com o respaldo do presidente.
O momento exige que a campanha reavalie a eficácia da exposição pública de seus atores. Com a proximidade da definição do pleito, a pressão por uma comunicação mais técnica e menos voltada ao personalismo tende a ditar o tom das próximas agendas de Lula pelo país.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 07/10/2026 às 19:36 (horário de Boa Vista).
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