TECNOLOGIA

    Anatel ordena bloqueio de chamadas adulteradas após milhões de irregularidades

    Agência Nacional de Telecomunicações identificou mais de 203 milhões de ligações com números mascarados, afetando consumidores em todo o país.

    FONTE: G119 de setembro de 2026
    Celular recebendo ligação de número desconhecido, ilustrando o bloqueio de chamadas adulteradas em Roraima.
    Reprodução: G1

    A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou, nesta quarta-feira (16), medidas rigorosas para o bloqueio de chamadas adulteradas originadas por duas empresas que somaram mais de 4,3 milhões de ligações irregulares. A prática, conhecida tecnicamente como spoofing, consiste em alterar o número de origem que aparece na tela do consumidor, dificultando a identificação do real autor da chamada. Em todo o Brasil, incluindo os usuários de telefonia em Roraima, o volume de tráfego suspeito monitorado pela agência chegou a 203 milhões de chamadas entre setembro de 2025 e junho de 2026.

    Como funciona o bloqueio de chamadas adulteradas e o combate ao spoofing?

    O spoofing é uma ferramenta frequentemente utilizada para práticas abusivas de telemarketing e até para a aplicação de golpes financeiros. Ao mascarar o número, as empresas tentam burlar filtros de bloqueio e aumentar a taxa de atendimento das ligações. Segundo a Anatel, essa tática prejudica a transparência no setor de telecomunicações e infringe os direitos dos consumidores, que têm o direito de saber quem está ligando.

    As investigações apontaram que a Voros Telecomunicações prestou serviço clandestino, o que levou a Anatel a proibir que operadoras como Algar, Datora e Foco disponibilizem capacidade de tráfego para a empresa. Já a ELO Contact Center, prestadora de serviços para a TIM, foi punida por realizar chamadas fora dos padrões regulatórios.

    Empresas têm 30 dias para rastrear origem de telemarketing abusivo

    Além do bloqueio imediato das centrais identificadas, a Anatel deu um prazo de 30 dias para que grandes operadoras — incluindo TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom — apresentem relatórios detalhados rastreando a origem de outras milhões de chamadas com sinais de adulteração. O objetivo é mapear toda a cadeia de tráfego irregular que circula pelas redes nacionais.

    A ELO Contact Center alegou à agência que as falhas foram causadas por um fornecedor e que já aplicou correções. A TIM, por sua vez, afirmou que aplicou penalidades contratuais à parceira e que não tinha ingerência sobre o erro técnico. Já a Voros Telecomunicações negou irregularidades, afirmando que a responsabilidade pela identificação dos números cabe às operadoras parceiras.

    Impacto para consumidores de Boa Vista e proteção de dados

    Para o consumidor em Boa Vista e no interior de Roraima, a medida representa um avanço no combate à perturbação do sossego. A agência reforça que a manipulação de números de origem pode facilitar fraudes graves, onde criminosos fingem ser instituições bancárias ou órgãos públicos para extrair dados sensíveis das vítimas.

    As operadoras Algar e Surf declararam que as ligações irregulares identificadas em suas redes foram fruto de contratos de intermediação com terceiros, e não originadas diretamente em suas infraestruturas. A Itelco não se manifestou sobre as intimações da agência reguladora até o fechamento desta reportagem.

    Caso o cidadão identifique chamadas suspeitas ou continue recebendo volume excessivo de ligações após o cadastro em listas de bloqueio, a orientação é registrar uma denúncia oficial no portal da Anatel ou através do aplicativo Anatel Consumidor, informando o número de origem, data e horário da chamada.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 18/09/2026 às 02:00 (horário de Boa Vista).

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