Anvisa proíbe propaganda da caneta emagrecedora Semavy por irregularidades
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata de todas as peças publicitárias do medicamento Semavy, utilizado para controle de diabetes, mas promovido irregularmente para perda de peso.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu adotar medidas rígidas contra a fabricante do medicamento Semavy, a Hypera Pharma, proibindo qualquer tipo de propaganda da caneta emagrecedora. A determinação, publicada nesta semana, ocorre após a agência identificar uma série de anúncios irregulares que induziam o consumidor ao erro, promovendo o fármaco para fins estéticos e de emagrecimento, embora sua autorização oficial seja restrita ao controle do diabetes.
Com a decisão, a Anvisa instaurou um processo administrativo contra a farmacêutica para apurar as responsabilidades. Caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do rito processual, a empresa poderá enfrentar multas severas. A medida foi necessária porque, segundo fontes da agência, a Hypera Pharma teria ignorado notificações anteriores para cessar as campanhas publicitárias em desacordo com as normas sanitárias vigentes no Brasil.
Por que a Anvisa proibiu os anúncios do Semavy?
O principal motivo da intervenção foi o descumprimento das regras de publicidade para medicamentos tarjados. No Brasil, remédios que exigem prescrição médica e retenção de receita não podem ser anunciados para o público em geral. A legislação permite a publicidade desses produtos apenas em veículos direcionados exclusivamente a profissionais de saúde, como médicos e farmacêuticos.
Apesar da restrição, a empresa promoveu o Semavy em locais de grande circulação, como o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As peças publicitárias exibiam imagens de mulheres utilizando fitas métricas na cintura, o que reforçava o apelo comercial para a perda de peso rápida, ignorando o uso terapêutico aprovado para o tratamento de diabetes tipo 2.
Propaganda enganosa e riscos à saúde em Roraima
O impacto dessas campanhas atinge consumidores em todo o país, inclusive em Roraima, onde a busca por métodos de emagrecimento rápido tem crescido. A Anvisa ressaltou que o uso de canetas de semaglutida sem acompanhamento médico adequado oferece riscos à saúde, como distúrbios gastrointestinais graves e outros efeitos colaterais sistêmicos.
A agência informou que notificou o laboratório duas vezes na última semana. No entanto, mesmo após os avisos, propagandas continuaram sendo impulsionadas em redes sociais. No site oficial do produto, a descrição do medicamento destacava a atuação na redução do apetite e aumento da saciedade, focando no emagrecimento como principal benefício comercial.
O que diz a legislação sobre medicamentos para emagrecer
A regulamentação brasileira é rigorosa quanto à venda e promoção de substâncias controladas. Medicamentos como o Semavy só podem ser adquiridos mediante apresentação de receita médica. A indução ao consumo por meio de publicidade em massa é considerada uma infração sanitária, pois retira do ato médico a responsabilidade pela indicação do tratamento mais seguro para cada paciente.
Questionada sobre as sanções, a Hypera Pharma limitou-se a declarar que as propagandas atuais da linha Semavy cumprem a legislação vigente. Contudo, para a Anvisa, a estratégia de marketing configurou publicidade abusiva ao público leigo.
Consumidores de Boa Vista e do interior de Roraima que identificarem propagandas irregulares de medicamentos em redes sociais ou estabelecimentos físicos podem realizar denúncias diretamente pelo sistema Fala.BR ou pelo portal oficial da Anvisa. É fundamental que o cidadão não inicie tratamentos com canetas emagrecedoras sem o devido diagnóstico clínico.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 25/09/2026 às 05:00 (horário de Boa Vista).
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