POLÍTICA

    Aumenta a violência política contra mulheres durante eleições

    Levantamento aponta que, em mês de luta contra a violência à mulher, casos de ataques a candidatas cresceram significativamente no cenário eleitoral brasileiro.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL10 de outubro de 2026
    Gráfico ou imagem ilustrativa sobre o aumento da violência política contra mulheres no Brasil durante período eleitoral.
    Reprodução: Agência Brasil

    Aumenta a violência política contra mulheres durante eleições

    O Brasil enfrenta um cenário alarmante de violência política contra mulheres, conforme revelam dados recentes de órgãos governamentais e entidades de direitos humanos. O aumento, registrado justamente no mês em que se celebra o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, reflete uma escalada de ataques que ameaça a democracia e a representatividade feminina nos espaços de poder.

    Por que a violência política contra mulheres cresceu em 2026?

    Números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam uma ascensão vertiginosa: entre 2022 e 2026, os processos envolvendo ataques contra candidatas saltaram de 15 para 177, um crescimento de 11 vezes. Pesquisas das organizações Terra de Direitos e Justiça Global apontam que, até o primeiro turno das eleições deste ano, ocorrido no domingo (4), houve um caso de violência política a cada nove horas.

    Embora as mulheres ocupem cerca de um terço das candidaturas, elas foram o alvo em mais de 52% dos episódios registrados durante a campanha. O impacto é ainda maior sobre mulheres pretas e pardas, que representam mais de 53% das 1.564 denúncias recebidas pelo Disque 180 entre janeiro e agosto de 2026.

    Ameaças e ataques contra parlamentares eleitas

    O caso da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, ilustra a gravidade do problema. A parlamentar denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e de violência sexual sofridas durante sua campanha, além da exposição de dados pessoais. O cenário, descrito por especialistas como uma exacerbação da misoginia, não é isolado e remete a uma trajetória de perseguição que já vitimou figuras como Marielle Franco e Isa Penna.

    Como denunciar casos de violência política?

    O combate à violência política contra mulheres exige o conhecimento dos canais oficiais para registro de denúncias. As vítimas ou testemunhas podem recorrer a diversas instâncias:

    • Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180): Atendimento sigiloso 24 horas. Também disponível via WhatsApp pelo número (61) 9610-0180 ou e-mail central180@mulheres.gov.br.
    • Ministério Público Eleitoral: Denúncias podem ser feitas pela Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal.
    • Ouvidoria das Mulheres: Disponível no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
    • Polícia Federal: Através do canal Comunica PF ou nas delegacias estaduais.

    A secretária nacional do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, reforça que o enfrentamento deve ser estrutural, combatendo desde as ameaças diretas à vida até as violências cotidianas que visam desestimular a participação feminina na vida pública brasileira.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 10/10/2026 às 08:40 (horário de Boa Vista).

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    Perguntas Frequentes

    Onde denunciar violência política contra mulheres?

    As denúncias podem ser feitas pelo Disque 180, Ouvidoria do Ministério Público, Justiça Eleitoral ou diretamente em delegacias da Polícia Federal.

    O atendimento do Ligue 180 é sigiloso?

    Sim, o atendimento é gratuito, humanizado e realizado de forma sigilosa, funcionando 24 horas por dia.

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