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    Brasil é o 2º maior importador de agrotóxicos proibidos na UE

    Dados da Oxfam revelam que o Brasil ocupa a segunda posição global na importação de pesticidas banidos na União Europeia, expondo trabalhadores rurais a riscos.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL17 de outubro de 2026
    Trator realizando pulverização em plantação de soja representando o uso de agrotóxicos no Brasil.
    Reprodução: Agência Brasil

    Brasil é o 2º maior importador de agrotóxicos proibidos na UE

    O Brasil consolidou-se como o segundo maior importador mundial de agrotóxicos que são proibidos dentro da União Europeia (UE) por serem considerados excessivamente tóxicos. Segundo relatório divulgado pela Oxfam no Dia Mundial da Alimentação, o país recebeu cerca de 15 mil toneladas desses insumos ao longo de 2024, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

    Por que o Brasil ainda usa agrotóxicos proibidos na Europa?

    A investigação da Oxfam aponta a existência de um critério desigual na regulação internacional. Enquanto a UE proíbe o uso de certas substâncias para preservar a saúde de sua população e a integridade de seus ecossistemas, o bloco permite que empresas europeias continuem fabricando e exportando esses mesmos produtos químicos para nações do Sul Global, onde as normas de fiscalização são frequentemente menos rigorosas.

    Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil, classificou a prática como inaceitável. Para a entidade, o modelo configura um "duplo padrão" que transfere os riscos à saúde de trabalhadores rurais e comunidades locais para países em desenvolvimento, concentrando os lucros das multinacionais no mercado europeu.

    Impactos do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira

    O uso intensivo desses produtos é fortemente atrelado ao atual modelo de monoculturas voltadas para a exportação, como a soja, o café e a cana-de-açúcar. Dados do relatório indicam que, no Brasil, os insumos altamente perigosos representam 49% das vendas totais de defensivos agrícolas, um contraste marcante frente a países como a Alemanha, onde esse índice é de apenas 12%.

    Além da exposição em grandes lavouras através de pulverização aérea ou via tratores, o relatório destaca a concentração do poder econômico. Apenas quatro grandes corporações controlam 61% do mercado global de defensivos, acumulando receitas bilionárias enquanto os efeitos colaterais químicos impactam a biodiversidade e a segurança alimentar em território brasileiro.

    O avanço das aprovações de pesticidas

    Mesmo com os alertas sobre os riscos à saúde, o cenário de aprovação de novos insumos no Brasil segue em ritmo acelerado. Em 2025, o país atingiu a marca de 725 novos pesticidas autorizados, um incremento de cerca de 10% em relação ao recorde anterior registrado em 2024. A Oxfam defende a necessidade urgente de interromper a exportação desses produtos e estabelecer regras internacionais que priorizem a proteção ambiental e os direitos humanos sobre os interesses comerciais.

    A Agência Brasil informou que entrou em contato com o Ministério da Agricultura para comentar os dados do relatório e aguarda um posicionamento oficial do órgão sobre a regulação dos insumos citados.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 16/10/2026 às 16:17 (horário de Boa Vista).

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