POLÍTICA

    Campanha de Flávio pede cassação da chapa Lula-Alckmin no TSE por desfile de Carnaval

    Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) aponta suposto uso indevido da máquina pública e financiamento irregular em desfile que homenageou o presidente Lula na Sapucaí.

    REDAÇÃO09 de setembro de 20263 min de leitura
    Presidente Lula durante desfile da Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro
    Ricardo Stuckert

    Ação no TSE questiona legalidade de homenagem a Lula na Sapucaí

    A chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar protocolou, nesta terça-feira (8), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O documento solicita a cassação da chapa Lula-Alckmin e a declaração de inelegibilidade do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. A acusação central envolve suposto abuso de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o Carnaval de 2026.

    O foco da contestação jurídica é o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que apresentou o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Segundo a defesa de Flávio Bolsonaro, a apresentação não foi apenas uma homenagem biográfica, mas uma peça de propaganda eleitoral antecipada, financiada com recursos públicos e estruturada com apoio direto do governo federal.

    Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente no Rio de Janeiro, motivando a cassação da chapa Lula-Alckmin.

    Entenda o financiamento público e privado do desfile em 2026

    Um dos pilares da ação movida pela oposição diz respeito aos valores envolvidos na execução do desfile. A petição afirma que aproximadamente R$ 9,65 milhões em verbas públicas foram direcionados à agremiação, oriundos de esferas federais, estaduais e municipais. Além disso, a defesa cita uma suposta captação de R$ 2,5 milhões junto à iniciativa privada, que teria tido a interlocução da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.

    A ação no TSE argumenta que o volume de recursos e a forma como foram mobilizados geraram uma vantagem indevida para Lula em ano eleitoral. Os autores pedem que a Justiça Eleitoral aprofunde a investigação sobre a origem e a finalidade desses repasses durante a fase de instrução do processo.

    Investigações do TCU e participação da máquina pública

    O caso já reverbera em outros órgãos de controle. O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação em abril, sob a relatoria do ministro Augusto Nardes, para apurar desvio de finalidade. O foco do TCU é verificar se houve uso da máquina pública, incluindo gastos com servidores e deslocamentos, para viabilizar a homenagem ao presidente.

    Anteriormente, o ministro Aroldo Cedraz havia negado a suspensão de um repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a escola, justificando que o valor fazia parte de um rateio igualitário entre as agremiações do Grupo Especial. No entanto, a nova ação de Flávio Bolsonaro traz novos elementos, como registros de reuniões de dirigentes da escola nos palácios do Planalto e da Alvorada, além do uso de aeronaves da FAB por membros do governo para agendas relacionadas ao evento.

    Conteúdo do desfile e pedidos de punição eleitoral

    Para a defesa que pede a cassação da chapa Lula-Alckmin, o conteúdo levado à Marquês de Sapucaí extrapolou a liberdade artística. A petição elenca o uso de jingles de campanha, referências ao número 13 e críticas diretas a adversários políticos como evidências de caráter eleitoral. O desfile foi assistido por Lula e seus ministros em um camarote oficial.

    Além do presidente e do vice Geraldo Alckmin, a ação inclui como representados a primeira-dama Janja, o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. O objetivo é que o TSE reconheça a responsabilidade individual de cada um na preparação do evento que, segundo a acusação, desequilibrou a disputa eleitoral.

    O processo agora seguirá para análise do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, que deverá intimar as partes para apresentação de defesa antes de qualquer decisão sobre o mérito da inelegibilidade ou da cassação do registro.

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