POLÍTICA

    Cármen Lúcia trava tentativa da Uber de liberar mototáxi em SP

    Decisão individual da ministra do STF mantém suspensão do serviço de transporte de passageiros por motocicletas na cidade de São Paulo.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO14 de outubro de 2026
    Ministra Cármen Lúcia do STF analisa recurso sobre o serviço de mototáxi em SP
    Reprodução: Folha de S.Paulo

    Cármen Lúcia barra operação de mototáxi da Uber em São Paulo

    A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, no último dia 6 de outubro, um recurso apresentado pela Uber que buscava reverter a proibição do serviço de mototáxi por aplicativo na capital paulista. A decisão monocrática mantém, por ora, a suspensão da modalidade estabelecida pela Justiça de São Paulo.

    O entrave jurídico ocorre devido à resistência da gestão municipal de Ricardo Nunes (MDB) em liberar a operação. O Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV), vinculado à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transportes, negou o credenciamento da empresa sob o argumento de que a oferta de transporte de passageiros em duas rodas oferece riscos adicionais à segurança viária e dos usuários.

    Por que o STF rejeitou o pedido da empresa?

    A magistrada não chegou a analisar o mérito da questão — ou seja, se o serviço é ou não constitucional. A rejeição do recurso baseou-se em falhas processuais técnicas. Segundo a ministra, a Uber recorreu ao STF antes de esgotar todas as instâncias cabíveis na Justiça estadual, o que inviabiliza o conhecimento da ação pela corte superior neste momento.

    O conflito judicial teve início em junho deste ano, quando a 16ª Vara da Fazenda Pública chegou a autorizar o credenciamento da plataforma. Contudo, em 24 de julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acatou um pedido da Prefeitura de São Paulo e suspendeu a decisão liminar, mantendo a proibição que permanece em vigor até que novos recursos sejam julgados.

    Próximos passos da disputa judicial

    Embora a decisão de Cármen Lúcia represente um revés para a empresa, o cenário ainda não está definido. A Uber ainda possui possibilidades de recorrer dentro das instâncias inferiores para tentar reverter a proibição imposta pelo município. A empresa, que buscava ampliar sua oferta de mobilidade na maior cidade do país, terá que seguir os trâmites do judiciário paulista para tentar uma nova liberação.

    A controvérsia sobre o transporte por motocicletas reacende o debate sobre a regulação dos aplicativos de transporte e o papel dos municípios na gestão da mobilidade urbana. Enquanto a empresa defende a liberdade de mercado e novas opções de deslocamento, a prefeitura sustenta a necessidade de maior controle para evitar o aumento de acidentes e garantir a fiscalização do serviço.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 14/10/2026 às 14:42 (horário de Boa Vista).

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