NACIONAL

    Cheia do Rio Tietê em Salto arrasta toneladas de lixo para parque

    Acúmulo de resíduos sólidos no Parque de Lavras, em Salto (SP), ocorreu após o aumento do nível do rio na última semana; material histórico foi atingido.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO20 de setembro de 2026
    Lixo acumulado após cheia do Rio Tietê em Salto no histórico Parque de Lavras e Usina Hidrelétrica de Lavras.
    Reprodução: Folha de S.Paulo

    A cheia do Rio Tietê registrada entre os dias 13 e 14 de setembro provocou um cenário de degradação ambiental no Parque de Lavras, localizado em Salto, no interior de São Paulo. O aumento repentino do nível das águas arrastou uma grande quantidade de resíduos sólidos para o interior do parque e para o prédio da histórica Usina Hidrelétrica de Lavras, patrimônio centenário da região.

    Por que o lixo acumulado no Parque de Lavras ainda não foi retirado?

    Imagens aéreas divulgadas nos últimos dias revelam a magnitude do problema: garrafas PET, embalagens plásticas, latas de alumínio e outros detritos urbanos formaram uma densa camada de sujeira sobre o gramado e as estruturas históricas. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o local é administrado pelo Consórcio Parque Lavras.

    Em nota emitida neste domingo (20), a concessionária responsável informou que ainda não há uma previsão exata para o início da limpeza completa da área. Segundo a empresa, o entulho arrastado pela cheia do Rio Tietê em Salto ainda está muito úmido, o que dificulta o manejo e o transporte. O procedimento padrão exige que o material seque antes de ser coletado e encaminhado ao aterro sanitário do município.

    O impacto da poluição do Rio Tietê no interior paulista

    O episódio em Salto é um reflexo direto do descarte irregular de resíduos em municípios localizados ao longo da bacia do Tietê. Como o rio atravessa diversas regiões metropolitanas antes de chegar ao interior, ele acaba transportando o lixo descartado incorretamente em bueiros e margens.

    Dados da Prefeitura de Salto indicam que a administração municipal retira, em média, cerca de 130 toneladas de resíduos flutuantes do Rio Tietê todos os anos. A situação ocorrida no Parque de Lavras evidencia como eventos climáticos extremos, como chuvas intensas que provocam cheias, potencializam o impacto ambiental em áreas de preservação e lazer.

    Histórico da Usina Hidrelétrica de Lavras

    O prédio atingido pelo lixo possui um valor histórico incalculável para o estado de São Paulo. A Usina Hidrelétrica de Lavras começou a ser construída em 1904 e iniciou suas operações em 1906, sendo fundamental para o desenvolvimento industrial das cidades de Itu e Salto no início do século XX.

    Após ser desativada em 1956, a área foi transferida para a gestão municipal na década de 1970 e transformada em parque em 1992. O projeto buscou preservar a arquitetura original da hidrelétrica e oferecer um espaço de contato com a natureza às margens do Tietê, objetivo que agora é ameaçado pelo recorrente problema da poluição hídrica.

    Próximos passos e conscientização

    A remoção dos resíduos é uma etapa paliativa. Especialistas em gestão ambiental reforçam que a solução definitiva para evitar que a cheia do Rio Tietê em Salto continue degradando o patrimônio histórico passa pela melhoria do saneamento básico e pela conscientização sobre o descarte correto de lixo doméstico. Para quem deseja visitar o Parque de Lavras nos próximos dias, recomenda-se verificar previamente se as áreas de acesso à usina foram liberadas e limpas pela concessionária.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 20/09/2026 às 15:45 (horário de Boa Vista).

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