POLÍTICA

    CNJ e PF realizam operação contra desembargador Newton Ramos no TRF-1

    Ação da Corregedoria do CNJ investiga contratos de até R$ 427 milhões envolvendo o escritório da esposa do magistrado e empresas de banqueiro.

    FONTE: G124 de setembro de 2026
    Sede do TRF-1 em Brasília, alvo da Operação CNJ Newton Ramos que investiga contratos milionários no judiciário federal.
    Reprodução: G1

    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o apoio estratégico da Polícia Federal (PF), deflagrou nesta quinta-feira (24) uma operação de correição extraordinária voltada ao gabinete do desembargador Newton Ramos, integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A medida foi autorizada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e mira suspeitas de irregularidades em contratos advocatícios e a gestão de processos envolvendo precatórios.

    Como funciona a operação CNJ Newton Ramos no TRF-1?

    A ofensiva, realizada em Brasília, consistiu na coleta de dados e na cópia integral do disco rígido do computador funcional de Ramos. Embora o magistrado não estivesse presente no momento da ação, os investigadores realizaram a auditoria no gabinete para apurar o fluxo de decisões judiciais. Até o momento, o desembargador não foi afastado de suas funções e mantém acesso pleno aos sistemas eletrônicos do tribunal.

    O TRF-1 possui jurisdição sobre o estado de Roraima, o que torna o caso de extrema relevância para o cenário jurídico de Boa Vista e demais municípios roraimenses, uma vez que as decisões da corte impactam diretamente processos originados na seção judiciária local.

    Investigação apura contratos de R$ 427 milhões e a "Turma do KN"

    O centro das investigações conduzidas pela PF reside na relação entre o desembargador e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Dados obtidos em dispositivos móveis de Vorcaro revelaram um contrato que previa o pagamento de até R$ 427 milhões ao escritório de advocacia de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. Os honorários estariam atrelados a causas de interesse de empresas ligadas ao banqueiro.

    Além dos valores vultosos, a investigação identificou o uso do codinome "turma do KN" em mensagens trocadas entre funcionários de Vorcaro e interlocutores. Segundo a Polícia Federal, a sigla faz referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Newton Ramos foi juiz auxiliar de Nunes Marques entre 2018 e 2020, quando o atual ministro ocupava a vice-presidência do TRF-1.

    Conexões sociais e uso de jatos particulares

    Os relatórios de inteligência apontam uma proximidade que vai além da esfera profissional. Foram identificados indícios de deslocamentos em jatos particulares e interações sociais frequentes entre o grupo investigado e o banqueiro. As mensagens interceptadas sugerem uma relação de intimidade que, para a Corregedoria do CNJ, justifica a fiscalização rigorosa sobre os processos de precatórios do setor sucroalcooleiro relatados por Ramos.

    O impacto da correição extraordinária no Judiciário Federal

    A correição extraordinária é um procedimento administrativo de fiscalização que visa garantir a transparência e a lisura dos atos judiciais. No caso de Newton Ramos, o foco está na verificação de possível conflito de interesses ou favorecimento em decisões que beneficiariam os clientes do escritório de sua esposa. O Conselho Nacional de Justiça deve analisar o material apreendido nos próximos dias para decidir se abrirá um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

    Para a classe jurídica e servidores públicos, a operação reforça o cerco aos vínculos entre magistrados e grandes escritórios de advocacia em causas de alto valor financeiro. O desdobramento deste caso é acompanhado de perto por juristas de todo o país, dado o volume financeiro envolvido e a citação de nomes da cúpula do Judiciário.

    Para advogados e cidadãos que possuem processos tramitando no TRF-1, é possível acompanhar a movimentação das ações e a escala de magistrados diretamente pelo portal oficial do tribunal, no sistema PJe, garantindo a transparência dos atos processuais.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 24/09/2026 às 15:24 (horário de Boa Vista).

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