Cotado ao STF, Jorge Oliveira atuou na distribuição de livros de Ustra
O ministro do TCU, Jorge Oliveira, apontado como possível nome para o STF, foi peça-chave na logística de disseminação da obra de Brilhante Ustra durante a campanha de 2018.
Jorge Oliveira e sua ligação com o bolsonarismo
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira, um dos nomes cogitados para uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um governo encabeçado por Flávio Bolsonaro (PL), possui um histórico de atuação direta na disseminação das ideias do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Major da reserva da Polícia Militar e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Oliveira desempenhou um papel logístico fundamental na distribuição de obras que exaltam a trajetória de Ustra entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Quem foi o responsável pela distribuição de livros de Ustra?
Durante a campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro frequentemente citava o livro A Verdade Sufocada, de autoria de Ustra, como sua leitura de cabeceira. O coronel, que comandou o DOI-Codi do 2º Exército em São Paulo durante a ditadura militar, foi reconhecido pela Justiça brasileira como um torturador. Para garantir que a obra chegasse aos seus seguidores, Bolsonaro recorreu a Jorge Oliveira.
Segundo relatos de Joseíta Ustra, viúva do coronel, em entrevista para o livro Poder Camuflado, era Oliveira quem comparecia à sua residência em Brasília para adquirir os exemplares. A viúva destacou que o então candidato fazia questão de pagar pelo material e, em diversas ocasiões, devolveu caixas de livros que haviam sido oferecidas como presente, insistindo na compra formal. Essa atuação reforça a proximidade de Oliveira com o núcleo ideológico do bolsonarismo.
A trajetória política de Jorge Oliveira
A relação de Jorge Oliveira com a família Bolsonaro precede sua ascensão ao alto escalão do governo federal. Ele é filho de Jorge Francisco, capitão do Exército que atuou por mais de duas décadas no gabinete de Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Esse histórico familiar e a confiança mútua consolidada ao longo dos anos foram determinantes para que Oliveira ocupasse o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência entre 2019 e 2020, antes de ser indicado para a cadeira no TCU.
A possível indicação de Oliveira ao STF é vista por observadores da política nacional como uma tentativa de manter um perfil alinhado aos valores defendidos pelo ex-presidente. A revelação sobre sua participação ativa na difusão da obra de Ustra, figura controversa e central na narrativa do bolsonarismo, deve elevar o debate sobre critérios de indicação para o Judiciário brasileiro, especialmente em um cenário de polarização política e busca por magistrados que reflitam ideais específicos de governos anteriores.
O contexto atual exige atenção redobrada dos eleitores e dos tomadores de decisão sobre as credenciais e o histórico de figuras públicas cotadas para cargos vitais nas instituições de Estado. A consulta a fontes oficiais e o acompanhamento de sabatinas no Senado Federal continuam sendo os caminhos recomendados para que o cidadão acompanhe a trajetória daqueles que pretendem ocupar as cadeiras do STF.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 10/10/2026 às 05:00 (horário de Boa Vista).
Receba as notícias de Roraima no WhatsApp
Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.
Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.
