Cresce número de mulheres eleitas no Congresso Nacional em 2026
Apesar do aumento no número de parlamentares, a ocupação feminina nas cadeiras do Legislativo ainda enfrenta barreiras ideológicas e de diversidade racial.
Recorde de mulheres eleitas no Congresso Nacional marca legislatura
O cenário político brasileiro registrou um marco histórico nas eleições de 2026, com o número de mulheres eleitas no Congresso Nacional atingindo o maior patamar desde a redemocratização. Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina saltou de 90 para 109 parlamentares, um crescimento de 21% em relação ao pleito anterior. No Senado Federal, a presença feminina também se expandiu, alcançando 12 novas eleitas entre as vagas em disputa.
Por que o aumento de parlamentares não garante pautas feministas?
Embora o aumento quantitativo seja celebrado por movimentos sociais, especialistas alertam que a eleição de mais mulheres não se traduz automaticamente em uma agenda alinhada aos direitos das mulheres. Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, destaca que a diversidade de pensamento dentro do grupo é ampla. "Podemos ter parlamentares eleitas com visões econômicas e sociais que divergem das pautas históricas de igualdade de gênero, como o voto contrário à lei de equiparação salarial", explica.
Representatividade negra e o desafio da renovação política
O aumento da presença de mulheres negras na Câmara dos Deputados foi um ponto positivo apontado pela organização Mulheres Negras Decidem. Em 2026, pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas, um avanço de 66,6% comparado a 2022. A coordenadora política Tainah Pereira ressalta que essa renovação traz lideranças jovens ao parlamento. Contudo, o Senado Federal seguiu o caminho oposto: das 12 eleitas para a próxima legislatura, nenhuma se autodeclara negra, consolidando um hiato de representatividade no topo do Poder Legislativo.
Dados sobre a ocupação feminina nas casas legislativas
Apesar da evolução, a disparidade de gênero ainda é um desafio estrutural. Na Câmara, as mulheres representarão 21% das 513 cadeiras disponíveis. No Senado, o cenário é ligeiramente distinto, com a bancada feminina alcançando 22,2% do total de 81 senadores. O Distrito Federal se destaca como a unidade federativa com a maior representatividade feminina, totalizando três senadoras, enquanto estados como o Piauí ainda enfrentam o desafio de nunca terem eleito uma mulher para o cargo de senadora.
A posse das parlamentares eleitas está marcada para fevereiro de 2027, com mandatos que se estendem até 2035. O acompanhamento das votações e da atuação dessas lideranças será fundamental para entender se o crescimento do número de mulheres eleitas no Congresso Nacional resultará em avanços concretos para a equidade de gênero no país.
Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 05/10/2026 às 19:14 (horário de Boa Vista).
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