Crime organizado amplia controle territorial e extorsão pelo Brasil
Expulsões de moradores e cobranças ilegais de taxas sobre serviços básicos marcam a nova fase de atuação do crime organizado no país.
Crime organizado amplia controle territorial e extorsão pelo Brasil
O cenário de segurança pública no Brasil enfrenta um novo desafio com a expansão das atividades de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV). Investigação aponta que o crime organizado deixou de focar apenas no tráfico de drogas para consolidar um domínio territorial que afeta diretamente a rotina de cidadãos, com a usurpação de imóveis, extorsão de comerciantes e o controle arbitrário sobre serviços essenciais.
Impacto direto na moradia e no comércio local
Relatos de expulsões forçadas ilustram a gravidade da situação. Em casos recentes registrados na Grande João Pessoa, moradores foram obrigados a abandonar suas residências sob ameaça de armas de fogo, evidenciando como o crime organizado utiliza a coação para ocupar espaços e estabelecer novas fontes de renda ilícita. A prática não se restringe à habitação; pequenos e médios empresários, além de provedores de internet, têm sido alvos frequentes de cobranças ilegais de taxas de proteção.
Operações policiais em 13 estados brasileiros
Levantamento realizado pela Folha de S.Paulo indica uma escalada nas intervenções estatais. Entre janeiro e outubro de 2026, foram mapeadas pelo menos 16 operações conjuntas envolvendo Ministérios Públicos em 13 estados, incluindo Acre, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo. O objetivo das forças de segurança é desarticular essa rede de extorsão de comerciantes e o controle de infraestrutura básica nas comunidades dominadas.
Integração das forças de segurança contra o crime
O Ministério da Justiça reforçou que mantém a integração entre as polícias estaduais e federais para conter o avanço dessas organizações criminosas interestaduais. A estratégia foca no monitoramento de fluxos financeiros e na desarticulação de lideranças. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) corroboram a necessidade de ações coordenadas para conter o domínio de facções criminosas que, cada vez mais, tentam substituir o papel do Estado em regiões vulneráveis, impondo regras de convivência e controle sobre o acesso a serviços essenciais.
As autoridades continuam as investigações para identificar a extensão da rede de influência das facções, buscando garantir a retomada da ordem pública e a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos impactados pela violência e pela coerção de moradores em todo o território nacional.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 25/10/2026 às 09:00 (horário de Boa Vista).
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