MUNDO

    Crise humanitária em Gaza afeta meio milhão de pessoas

    Agência da ONU alerta que escassez de recursos forçou cortes severos na distribuição de alimentos e auxílio financeiro para famílias em Gaza.

    FONTE: G119 de outubro de 2026
    Mulher prepara alimentos em campo de deslocados, ilustrando a crise humanitária em Gaza que afeta o fornecimento de comida.
    Reprodução: G1

    Crise humanitária em Gaza deixa 500 mil sem auxílio

    O Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência vinculada às Nações Unidas, anunciou nesta segunda-feira (19) a redução drástica de suas operações humanitárias na Faixa de Gaza. A medida, motivada por uma severa escassez de financiamento, deixará cerca de 500 mil pessoas sem acesso mensal à assistência alimentar básica no território.

    Após um período de relativa melhora no final de 2025, o cenário de insegurança alimentar aguda volta a se agravar. Atualmente, estima-se que 1,4 milhão de pessoas — de uma população total de 2,1 milhões — dependam exclusivamente de ajuda externa para sobreviver em meio ao conflito que assola a região desde outubro de 2023.

    Por que a ajuda humanitária em Gaza foi reduzida?

    De acordo com Shaun Hughes, diretor do PMA nos territórios palestinos, a decisão não é resultado da falta de acesso logístico, mas da ausência de aportes financeiros necessários para manter a escala das operações. O orçamento da agência sofreu um impacto significativo após a redução de repasses por parte do governo dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.

    Para garantir a continuidade mínima das operações nos próximos meses, o PMA estima a necessidade de 450 milhões de dólares. Contudo, em 2026, a agência recebeu apenas metade do volume habitual de doações, o que obrigou a instituição a priorizar recursos e realizar cortes emergenciais.

    Impactos diretos no cotidiano das famílias

    A redução terá efeitos imediatos no dia a dia dos sobreviventes. O PMA informou que os pacotes de alimentos distribuídos serão reduzidos pela metade, incluindo a quantidade de farinha de trigo, essencial para a sobrevivência das famílias deslocadas. Além disso, o volume de refeições quentes servidas diariamente cairá de 250 mil para 150 mil. O auxílio financeiro, que atendia 75 mil famílias, também sofrerá um corte de quase 40%, caindo de 1.250 para 750 shekels por mês.

    A situação reflete um retrocesso preocupante após o período de trégua e o aumento do fluxo de suprimentos registrado no final do ano passado. O PMA reforça que, sem um novo aporte financeiro internacional urgente, a capacidade de mitigar a fome na região continuará diminuindo, agravando a vulnerabilidade de mulheres, crianças e idosos que já enfrentam condições humanitárias extremamente difíceis.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 19/10/2026 às 06:41 (horário de Boa Vista).

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