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    Daniel Trindade preso em Roraima: candidato paga fiança e é solto

    Daniel Trindade (PL) passou por audiência de custódia após ser alvo da Operação Cunhambebe. Ele deve cumprir medidas cautelares, incluindo a proibição de entrar em terras indígenas.

    FONTE: G127 de setembro de 2026
    Daniel Trindade, alvo da PF, em foto para redes sociais sobre o caso Daniel Trindade preso em Roraima.
    Reprodução: G1

    Decisão judicial e soltura de Daniel Trindade em Roraima

    O candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL), de 42 anos, foi posto em liberdade neste sábado (26) após passar por audiência de custódia na Justiça Eleitoral em Boa Vista. O político estava detido no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) desde a sexta-feira (25), quando foi alvo de uma ação da Polícia Federal (PF). Para responder ao processo em liberdade, a Justiça fixou o pagamento de uma fiança no valor de R$ 10 mil.

    Embora o magistrado tenha considerado regular a prisão em flagrante efetuada pela PF, a prisão preventiva foi rejeitada. Além da fiança, Daniel Trindade deverá cumprir medidas cautelares, como o comparecimento obrigatório ao tribunal a cada dois meses para informar e justificar suas atividades. O caso de Daniel Trindade preso em Roraima ganhou repercussão devido às graves acusações que cercam a Operação Cunhambebe.

    Entenda a Operação Cunhambebe e as acusações contra o candidato

    A prisão de Daniel Trindade ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência e em seu comitê eleitoral. O objetivo inicial da Operação Cunhambebe PF era investigar a suspeita de que o político estaria envolvido na criação e treinamento de uma milícia privada composta por indígenas. Segundo as investigações, esse grupo atuaria na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cometendo crimes ambientais.

    Entretanto, durante as diligências, os agentes federais encontraram indícios robustos de crimes eleitorais em Roraima, especificamente relacionados à compra de votos. O flagrante desses materiais levou à detenção imediata do candidato. De acordo com o G1, a investigação sobre a milícia teve início em maio, após agentes do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) serem atacados a tiros durante uma fiscalização contra o garimpo ilegal na comunidade Napoleão.

    Treinamentos clandestinos e restrições da Justiça Federal

    A Polícia Federal aponta que Daniel Trindade, que também é delegado da Polícia Civil do Amazonas e lutador de jiu-jítsu, ministrava cursos de segurança clandestinos. Esses treinamentos ensinavam táticas operacionais para o grupo armado sem qualquer autorização oficial. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça Federal determinou a suspensão das atividades do curso por 180 dias.

    Além disso, para mitigar riscos de interferência nas investigações sobre a milícia privada indígena Roraima, o político está proibido de ingressar em qualquer terra indígena do estado e não pode manter contato com testemunhas ou membros da Comunidade Napoleão, seja presencialmente ou por meios digitais.

    Defesa alega inocência e aponta perseguição

    Em nota oficial, a defesa do candidato Daniel Trindade PL reafirmou sua "absoluta inocência" e declarou que ele continuará colaborando com as autoridades. O advogado de defesa argumentou que as investigações não podem ser utilizadas como um "instrumento de perseguição" política durante o período eleitoral.

    Vale ressaltar que o histórico de Trindade já incluía outras controvérsias. Em 2015, ele foi investigado por supostamente incentivar lutas entre detentos, efetuar disparos em via pública e agredir presos com palmatória, fatos que agora retornam ao debate público com o novo desdobramento jurídico.

    O processo segue em tramitação na Justiça Eleitoral e Federal, e o candidato permanece sob monitoramento judicial enquanto a Polícia Federal Roraima investigação avança para identificar outros possíveis envolvidos no esquema de milícia e corrupção eleitoral.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 26/09/2026 às 14:48 (horário de Boa Vista).

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