TECNOLOGIA

    Deepfakes crescem nas redes sociais antes das eleições

    Levantamento aponta que 554 vídeos e imagens manipuladas por IA circularam nas redes sociais durante a campanha de 2026, desafiando a fiscalização eleitoral.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL05 de outubro de 2026
    Smartphone exibindo gráfico de crescimento de deepfakes durante o período eleitoral com uso de IA em redes sociais.
    Reprodução: Agência Brasil

    Deepfakes crescem nas redes sociais antes das eleições

    Durante a campanha para o primeiro turno das eleições gerais de 2026, a desinformação digital atingiu um novo patamar. Um levantamento do projeto VigIA, realizado pela agência de checagem Lupa em parceria com a Unicamp, identificou pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo deepfakes circulando nas redes sociais. A prática, que consiste na manipulação de IA para simular falas ou atos inexistentes de pessoas reais, desafia a integridade do pleito e a fiscalização dos órgãos competentes.

    Como identificar deepfakes nas redes sociais?

    As deepfakes representaram 60% das 920 publicações monitoradas entre 16 de agosto e 28 de setembro. O conteúdo falso é vasto, indo desde jornalistas simulando notícias inventadas até celebridades manifestando apoios falsos a candidatos. A tecnologia, que deveria ser usada com transparência, tornou-se ferramenta para confundir o eleitorado, muitas vezes sem a devida sinalização obrigatória exigida pela legislação eleitoral.

    O papel da IA nas campanhas eleitorais

    Segundo o relatório, apenas 371 dos 920 conteúdos analisados estavam devidamente rotulados como material gerado por inteligência artificial. Para a pesquisadora Beatriz Farrugia, a alta incidência de publicações feitas por usuários comuns e perfis anônimos cria um gargalo para a Justiça Eleitoral. "Se queremos bloquear o risco que essas peças impõem ao entendimento dos eventos políticos, precisamos considerar que a maioria parte de avatares anônimos, exigindo cooperação direta com as plataformas", afirma.

    Consequências jurídicas para o uso de deepfakes

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfakes que apresentem verossimilhança capaz de enganar o eleitor, sob pena de sanções severas, incluindo a cassação de candidaturas ou mandatos. Apesar disso, o cenário mostra que o uso de IA já faz parte da comunicação política cotidiana. O levantamento da Agência Lupa detalha que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, foi a figura mais retratada, enquanto o uso de IA para ataques e sátiras segue como tendência entre os perfis de usuários comuns.

    Para o eleitor, a recomendação é checar sempre a procedência de vídeos virais e buscar veículos de imprensa oficiais antes de compartilhar informações que envolvam falas ou comportamentos suspeitos de figuras públicas. A transparência na comunicação eleitoral é um direito do cidadão e um dever das coligações e partidos.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 02/10/2026 às 12:26 (horário de Boa Vista).

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