Deputado Marcinho Belota enfrenta histórico de acusações por racismo em Roraima
O parlamentar, que é alvo de apuração da Polícia Federal por incidentes na UFRR, possui um precedente judicial envolvendo injúria racial contra servidor público.
Deputado Marcinho Belota enfrenta histórico de acusações por racismo em Roraima
O deputado estadual Marcinho Belota (PL) encontra-se novamente no centro de uma polêmica envolvendo alegações de racismo. Atualmente, o parlamentar é alvo de uma investigação da Polícia Federal após denúncias de invasão ao campus da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e destruição de materiais acadêmicos. O caso ganhou novos contornos após o advogado Yano Rodrigues, de 25 anos, registrar um boletim de ocorrência contra Belota, acusando-o de ridicularizar seu cabelo black power em uma publicação nas redes sociais.
O histórico de Marcinho Belota e o caso do fiscal sanitário
Este não é o primeiro episódio em que o nome de Marcinho Belota é associado a crimes de natureza racial. Em 2015, quando ainda atuava como empresário no setor de gastronomia em Boa Vista, o hoje deputado foi processado por injúria racial após um conflito com servidores da Vigilância Sanitária municipal. O incidente ocorreu após a notificação e multa do restaurante de Belota por irregularidades sanitárias.
Segundo relatos constantes no inquérito policial, o então empresário teria se dirigido ao departamento de fiscalização para exigir a anulação de uma multa de R$ 1,5 mil. Durante as discussões, servidores públicos afirmaram ter sido chamados de "preto safado" pelo parlamentar. O caso foi registrado na Polícia Civil e, posteriormente, tramitou na 3ª Vara Criminal de Boa Vista.
Como a Justiça tratou o processo por injúria racial
O processo judicial relacionado ao incidente de 2015 teve um desfecho através de um acordo de suspensão condicional. Em abril de 2023, Belota firmou compromisso com o Judiciário, pagando indenização à vítima equivalente a cinco salários mínimos, além de destinar outros três salários a finalidades sociais. A medida foi possível porque, à época dos fatos, a legislação ainda não equiparava a injúria racial ao crime de racismo.
Contudo, a execução do acordo enfrentou percalços. Documentos da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas indicaram que o deputado registrou faltas injustificadas aos comparecimentos obrigatórios. Em agosto de 2026, a Justiça decidiu prorrogar o período de fiscalização do acordo por mais oito meses, mantendo a ação penal arquivada provisoriamente sob monitoramento.
Posicionamento e conduta pública
Em nota oficial, a defesa de Marcinho Belota negou qualquer intenção discriminatória no caso recente envolvendo o advogado Yano Rodrigues. O deputado afirmou repudiar "qualquer forma de racismo, preconceito ou discriminação", reforçando que o respeito à dignidade humana é um princípio de sua conduta. Sobre o episódio nas redes sociais, a assessoria justificou que o conteúdo se tratou de uma "manifestação descontraída".
É importante destacar que, para denúncias de racismo ou injúria racial em Boa Vista, as vítimas podem registrar boletins de ocorrência em qualquer delegacia da Polícia Civil de Roraima ou através da Delegacia Virtual, fornecendo provas como vídeos, prints e testemunhos que auxiliem a investigação criminal.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 24/10/2026 às 05:00 (horário de Boa Vista).
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