Diretor da Microsoft classifica treinamento de inteligência artificial como ‘roubo histórico’
Documento judicial revela que executivo da Microsoft considerou o uso de reportagens do New York Times para treinar modelos da OpenAI como um dos maiores roubos da história.
Entenda o caso: Treinamento de inteligência artificial sob acusação de plágio
Uma nova reviravolta em um dos processos judiciais mais importantes do setor tecnológico mundial veio à tona nesta quinta-feira (17). Documentos judiciais tornados públicos revelaram que Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, descreveu a prática de utilizar milhões de artigos jornalísticos para o treinamento de inteligência artificial como um "roubo impressionante de proporções sem precedentes".
A declaração consta no processo movido pelo jornal The New York Times contra a OpenAI e a própria Microsoft. Segundo a acusação, a startup californiana teria extraído conteúdo de mais de 10 milhões de artigos sem autorização, sendo que quase um terço desse total teria sido retirado diretamente das colunas e reportagens do New York Times. Para Hecht, a manobra pode ser considerada "o maior roubo de trabalho da história da humanidade".
Impacto para o jornalismo e direitos autorais na internet
A polêmica em torno do treinamento de inteligência artificial levanta debates profundos sobre os direitos autorais na internet. A Microsoft, embora seja uma das principais investidoras da OpenAI desde 2019, tentou se distanciar das falas de seu diretor. Em comunicado oficial enviado à agência France Presse, um porta-voz da empresa afirmou que as declarações de Hecht representam apenas uma "opinião pessoal" e não a postura institucional da companhia.
O processo judicial, que tramita há três anos em um tribunal federal de Nova York, não é um caso isolado. Outros gigantes da mídia e grupos de jornalismo investigativo, como o The Intercept e a Ziff Davis (proprietária do CNET), também se juntaram à ofensiva jurídica. Eles alegam que o uso indevido de material protegido prejudica a sustentabilidade do jornalismo profissional em escala global, afetando inclusive a visibilidade de conteúdos regionais.
Defesa alega ‘uso legítimo’ e progresso científico
Em sua defesa, a OpenAI e a Microsoft sustentam que a prática está protegida pelo princípio do fair use (uso legítimo), previsto na legislação dos Estados Unidos. Esse dispositivo permite a utilização de obras protegidas sem consentimento prévio em contextos específicos, como para fins de transformação tecnológica ou pesquisa. As empresas argumentam que o desenvolvimento da IA gera um novo produto, diferente da matéria-prima original.
A discussão sobre propriedade intelectual no jornalismo ganhou um novo capítulo em setembro, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos emitiu um parecer favorável às empresas de tecnologia. O órgão citou que o avanço da IA é fundamental para o "progresso científico", a segurança nacional e o crescimento econômico.
Tecnologia e ética digital: O futuro dos sites de notícias
A preocupação central de especialistas em tecnologia e ética digital é a redução drástica do tráfego para os sites de notícias. Com o ChatGPT fornecendo respostas diretas, o usuário perde o incentivo de clicar no link original. Documentos do processo indicam que até engenheiros da OpenAI admitem o problema: "Por mais destaque que demos aos links, os usuários não vão clicar neles", afirmou um técnico da empresa nos autos.
Para profissionais e estudantes de TI em Boa Vista e em todo o estado de Roraima que acompanham o mercado de inovação, o desfecho deste caso será um marco regulatório. Embora os autores da ação tenham solicitado uma sentença sumária, uma decisão final da Justiça Federal norte-americana não é esperada antes de 2027. Até lá, o setor deve continuar operando em uma zona cinzenta jurídica, equilibrando a inovação tecnológica e a proteção ao criador de conteúdo.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 18/09/2026 às 07:34 (horário de Boa Vista).
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