Eduarda Campopiano: a trajetória da deputada estadual mais votada de SP
Aos 23 anos, a vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano, alcançou votação histórica na Alesp, consolidando a força do bolsonarismo digital em São Paulo.
Quem é Eduarda Campopiano e o recorde nas urnas
A política paulista registrou um marco histórico nas eleições de 2026. A vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo. Com 88,5% das urnas apuradas, a parlamentar já ultrapassava a marca de 1,7 milhão de votos, consolidando-se como o maior fenômeno eleitoral da atualidade no estado, atrás apenas do recorde histórico estabelecido por Janaína Paschoal em 2018.
Nascida em Campinas, em 2003, Eduarda Campopiano iniciou sua trajetória pública em 2024, ao ser eleita vereadora em sua cidade natal com 3.583 votos. Sua ascensão meteórica é atribuída a uma estratégia de marketing digital altamente eficaz, focada em pautas conservadoras que dialogam diretamente com a base do bolsonarismo.
A estratégia de campanha e pautas conservadoras
A deputada estadual mais votada de SP construiu sua base eleitoral a partir de um posicionamento firme contra o que denomina de "cultura woke" e o feminismo contemporâneo. Em suas redes sociais, que serviram como principal palanque, ela defendeu a família tradicional, o direito ao porte de armas — argumentando ser uma ferramenta de defesa para mulheres — e a presença de princípios cristãos na esfera pública.
Economicamente, manifestou-se contrária a sistemas de cotas raciais e a iniciativas de legalização profissional da prostituição. O financiamento de sua campanha, que somou cerca de R$ 755 mil, foi majoritariamente proveniente do diretório nacional do Partido Liberal (PL), com foco total no impulsionamento de conteúdo digital, uma tática que se provou decisiva para alcançar o eleitorado conservador em todo o estado.
Polêmicas e o impacto na opinião pública
A trajetória da parlamentar não esteve isenta de controvérsias. Meses antes do pleito, uma declaração em um podcast sobre a colonização do Brasil gerou forte reação nacional. Campopiano afirmou que a catequização de povos indígenas foi um evento positivo, associando culturas originárias a práticas de sacrifício e canibalismo. As declarações resultaram em um boletim de ocorrência registrado pela artista Katú Mirim, que denunciou a fala como racismo, alegando desrespeito à história dos povos originários.
A nova geração da política conservadora
O sucesso de Eduarda Campopiano reflete uma tendência observada em diversas capitais brasileiras: a transição de influenciadores digitais para cargos legislativos com votações expressivas. Ao lado de nomes como Lucas Pavanato, também do PL, a deputada eleita representa uma nova face da direita, que utiliza a desintermediação das redes sociais para mobilizar eleitores que buscam uma ruptura com a política tradicional.
A Justiça Eleitoral confirmou que a candidata não declarou bens em seu registro de candidatura. Com o encerramento da apuração, o foco agora se volta para sua atuação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde a parlamentar deverá enfrentar desafios institucionais e a pressão de manter a base digital que a alçou ao posto de deputada estadual mais votada da história recente de São Paulo.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 04/10/2026 às 19:12 (horário de Boa Vista).
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