ECONOMIA

    Enfermeira venezuelana abre três negócios em comunidade indígena de Pacaraima

    Rengie Miranda trocou a enfermagem na Venezuela pela venda de alimentos e roupas na comunidade Tarau Paru. Com apoio do Sebrae, ela planeja expandir sua atuação na fronteira.

    REDAÇÃO20 de setembro de 20263 min de leitura
    Rengie Miranda sorri em seu comércio de alimentos na comunidade Tarau Paru, Pacaraima. Empreendedorismo em Pacaraima.
    Reprodução: SEBRAE Roraima

    Da enfermagem na Venezuela ao comércio em Roraima

    Rengie Miranda, de 31 anos, faz parte de um grupo crescente de migrantes que encontraram no empreendedorismo em Pacaraima uma alternativa para reconstruir a vida. Formada em enfermagem na Venezuela, ela deixou o país de origem em 2019, motivada pela crise econômica e por um problema grave de saúde do marido. Hoje, estabelecida na comunidade indígena Tarau Paru, ela gerencia três frentes de trabalho: venda de alimentos prontos, roupas e café da manhã.

    A transição da área de saúde para o comércio não foi planejada, mas imposta pela realidade local. Mesmo com qualificação profissional, Rengie relata que a renda obtida na Venezuela era insuficiente para o sustento básico. Ao chegar em Roraima, onde já possuía familiares, percebeu a demanda por serviços de alimentação dentro da própria comunidade onde passou a residir.

    Desafios e faturamento na fronteira

    Atualmente, o cotidiano da empreendedora começa cedo. Ela prepara refeições voltadas principalmente para os estudantes da região. O cardápio inclui pratos tradicionais como arroz, feijão, frango, carne e peixe. Além da alimentação, Rengie mantém um estoque de roupas para venda, embora essa frente de negócio apresente obstáculos específicos.

    Fachada de pequeno comércio de roupas e refeições em comunidade indígena de Roraima. Empreendedorismo em Pacaraima.
    Reprodução: SEBRAE Roraima

    Segundo a empreendedora, o comércio de vestuário em comunidades do interior de Roraima exige flexibilidade, já que boa parte das vendas é realizada a prazo. "Vender roupa não é tão rápido, porque é muito no crédito. A gente vende em uma data e depois recebe. A comida tem uma saída mais rápida", explica. Somadas, as atividades geram uma movimentação financeira estimada entre R$ 150 e R$ 200 semanais, valor que auxilia na manutenção da família.

    Apoio familiar e expansão

    O empreendimento conta com o suporte direto do esposo de Rengie, que atua na construção civil local. Juntos, eles trabalham para melhorar a estrutura física onde os produtos são comercializados. Atualmente, o espaço é pequeno, o que limita a variedade de itens oferecidos e o conforto dos clientes que buscam as refeições diárias.

    Planejamento com a Trilha do Conhecimento

    Para profissionalizar a gestão, Rengie participou recentemente da oficina de Modelagem de Negócios, promovida pelo Sebrae Roraima. A capacitação faz parte da iniciativa "Trilha do Conhecimento", realizada em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e com o apoio da APITSM.

    Empreendedora venezuelana anota planos de negócio durante oficina do Sebrae em Roraima. Empreendedorismo em Pacaraima.
    Reprodução: SEBRAE Roraima

    Durante as atividades, a empreendedora conseguiu estruturar melhor o plano de crescimento e batizou formalmente o projeto como Inversiones Reidenti. O nome, em idioma taurepang, significa "filha do rei", uma homenagem à cultura da comunidade que a acolheu. A oficina foca em fortalecer a autonomia econômica de indígenas, refugiados e migrantes que vivem no estado.

    O sonho da boutique e do restaurante próprio

    Com as novas ferramentas de gestão, os planos para o futuro ganharam contornos mais nítidos. O objetivo de Rengie é separar fisicamente as atividades de moda e gastronomia, criando uma boutique de roupas e um restaurante estruturado em Tarau Paru. "Quero fazer uma loja grande, ter um espaço maior para vender roupa e trabalhar com comida. Quero crescer aos poucos, mas quero chegar lá", afirma.

    A história de Rengie reflete um movimento comum na fronteira norte do Brasil, onde a qualificação técnica estrangeira muitas vezes é convertida em força empreendedora local, movimentando a economia de municípios como Pacaraima e gerando novas dinâmicas de consumo em áreas rurais e indígenas.

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    Perguntas Frequentes

    O que é a Trilha do Conhecimento do Sebrae?

    É um programa de capacitação voltado para fortalecer o empreendedorismo e a geração de renda entre indígenas, refugiados e migrantes em Roraima.

    Como participar das oficinas do Sebrae em Pacaraima?

    Interessados podem procurar o ponto de atendimento do Sebrae em Roraima ou acompanhar as parcerias com órgãos como o ACNUR para novas turmas.

    Quais documentos são necessários para migrantes empreenderem?

    Para formalização como MEI ou participação em cursos, geralmente são exigidos o RNM (Registro Nacional Migratório) e o CPF ativo.

    O Sebrae oferece apoio para negócios em comunidades indígenas?

    Sim, o Sebrae Roraima realiza oficinas itinerantes e projetos específicos que respeitam a cultura local e visam a autonomia econômica das comunidades.

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