Entidades pedem suspensão de criptomoeda que paga por posts políticos
Quatro organizações da sociedade civil acionaram a Justiça Eleitoral para investigar a legalidade da plataforma 'Brasil 22 Token', acusada de remunerar usuários por propaganda política.
Entidades questionam a legalidade do Brasil 22 Token
Quatro organizações da sociedade civil protocolaram, nesta sexta-feira (9), uma representação junto à Procuradoria-Geral Eleitoral solicitando a investigação e a suspensão das atividades da plataforma Brasil 22 Token (B22). O projeto, lançado em 6 de outubro, é acusado de remunerar usuários por meio de criptomoedas em troca de postagens de apoio político.
A petição, assinada pela Conectas Direitos Humanos, Inesc, Sleeping Giants Brasil e Artigo 19 Brasil, levanta preocupações sobre o uso de ativos digitais para impulsionar propaganda eleitoral, o que, segundo as entidades, pode configurar abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos.
Como funciona a remuneração por postagens políticas?
A plataforma B22 utiliza um programa chamado "Airdrop", no qual usuários são incentivados a realizar tarefas digitais. Para participar, o interessado deve manter pelo menos 10 mil tokens em uma carteira digital e publicar conteúdos em redes sociais como X, Instagram e TikTok que demonstrem pertencimento à "comunidade B22".
Após a publicação, o participante envia o link para validação e, caso aprovado, pode receber até 30 mil tokens. As inscrições para o programa seguem abertas até 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições. As organizações argumentam que, por se tratar de um empreendimento comercial e não de um eleitor pessoa física, a entidade estaria proibida de realizar propaganda eleitoral na internet.
Conexões e denúncias sobre o projeto
O projeto ganhou notoriedade ao ser divulgado pelo perfil @hyperskidsafrica no Instagram, que conta com 12,9 milhões de seguidores e afirma arrecadar recursos para causas humanitárias em Uganda. Em um vídeo viral, crianças aparecem vestindo camisetas com a marca B22 enquanto entoam um jingle de campanha para o candidato Bolsonaro. O conteúdo já ultrapassou 3 milhões de visualizações.
Na representação encaminhada à Procuradoria, as entidades solicitam a identificação dos responsáveis pela plataforma, a remoção dos conteúdos das redes sociais e a suspensão imediata do programa de distribuição de tokens. Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o site do B22 declarou que o projeto é independente, não possui vínculo oficial com campanhas e que a distribuição dos ativos não está condicionada ao voto ou preferência eleitoral.
O caso segue sob análise do Ministério Público Eleitoral, que deve avaliar se houve infração às normas de propaganda e financiamento de campanhas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 09/10/2026 às 18:50 (horário de Boa Vista).
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