REGIONAL

    Extorsão digital faz jovens buscarem a polícia antes dos pais

    Cresce o número de jovens que denunciam chantagens virtuais diretamente às autoridades, revelando um distanciamento geracional no enfrentamento de crimes online.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO24 de outubro de 2026
    Jovem utilizando smartphone com preocupação ao lidar com extorsão digital em ambiente doméstico.
    Reprodução/Internet

    O desafio da extorsão digital no ambiente escolar e doméstico

    Um fenômeno crescente tem preocupado autoridades de segurança pública em todo o Brasil: crianças e adolescentes, vítimas de extorsão digital, estão optando por denunciar os crimes diretamente à polícia antes de comunicarem o ocorrido aos seus responsáveis legais. O comportamento, observado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, reflete um cenário de medo e isolamento vivenciado pelos jovens no ambiente virtual.

    O levantamento do órgão, divulgado em outubro, aponta que, em apenas dez dias, 35 das 36 denúncias recebidas pelo canal especializado partiram dos próprios menores. Apenas um caso foi reportado por um familiar. Antes da intensificação da divulgação do canal, a média era de apenas cinco registros semanais, indicando que a demanda estava represada pelo receio dos jovens em buscar apoio em casa.

    Por que os jovens evitam falar com os pais sobre crimes digitais?

    Segundo a delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, as vítimas, muitas vezes a partir dos dez anos de idade, sentem-se mais confortáveis em relatar as ameaças a um agente público desconhecido do que enfrentar o julgamento ou a proibição do uso de dispositivos eletrônicos por parte dos pais.

    A psicóloga Karen Scavacini, fundadora do Instituto Vita Alere, reforça que esse silêncio é motivado pelo medo de represálias e pela vergonha. A segurança de dados na internet torna-se um campo minado quando criminosos utilizam fotos íntimas ou informações pessoais vazadas para exigir transferências via Pix ou coagir os menores a praticarem atos de automutilação e violência contra animais.

    Como proteger menores contra crimes cibernéticos?

    Para pais e educadores, a orientação é clara: o acolhimento deve vir antes da punição. O combate à extorsão virtual contra crianças exige que a família crie um ambiente de confiança, onde o jovem não se sinta culpado por ter sido alvo de um criminoso. Algumas medidas são fundamentais para preservar a integridade da vítima:

    • Preservação de provas: Não apague as mensagens ou prints das ameaças; eles são fundamentais para o inquérito policial.
    • Corte de contato: Bloqueie imediatamente o agressor e não ceda a chantagens financeiras ou comportamentais.
    • Monitoramento educativo: Acompanhe as redes sociais, mas evite uma vigilância intrusiva que afaste o diálogo com o menor.
    • Busca por ajuda: Em caso de ameaças, procure a delegacia especializada mais próxima ou utilize canais oficiais, como o Disque 100.

    O aumento das denúncias espontâneas demonstra que a conscientização digital está chegando aos jovens, mas também evidencia a necessidade de uma cultura de comunicação aberta dentro das residências. A proteção de menores nas redes depende de um esforço conjunto entre a vigilância atenta dos responsáveis e a atuação rápida das autoridades policiais.

    Para realizar denúncias ou obter orientações sobre como proceder diante de ameaças digitais, as famílias podem buscar o apoio do Conselho Tutelar local ou registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia de crimes cibernéticos do seu estado.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 24/10/2026 às 11:00 (horário de Boa Vista).

    Receba as notícias de Roraima no WhatsApp

    Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.

    Entrar no grupo

    Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.

    Compartilhar