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    Extrema direita elege 1º presidente de Parlamento na Alemanha

    A eleição de Tobias Rausch, da AfD, marca um precedente histórico na Saxônia-Anhalt e levanta questionamentos sobre a postura dos partidos tradicionais.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO06 de outubro de 2026
    Parlamentares alemães em sessão plenária durante votação histórica que elegeu político da extrema direita na Alemanha
    Reprodução: Folha de S.Paulo

    O avanço da extrema direita na política alemã

    A política alemã vive um momento de ruptura histórica. Nesta terça-feira (6), Tobias Rausch, representante do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), foi eleito presidente do Parlamento estadual em Saxônia-Anhalt. O feito marca a primeira vez que um integrante de uma legenda de extrema direita ocupa um cargo desta magnitude no legislativo alemão desde o fim do período nazista, em 1945.

    A eleição ocorreu por meio de votação secreta, na qual Rausch obteve 48 votos. O resultado surpreendeu analistas, já que a soma das cadeiras da AfD (39) com o partido BSW (5) totaliza apenas 44 votos, sugerindo que parlamentares de outras legendas, possivelmente da União Democrata-Cristã (CDU), contribuíram para a vitória do candidato.

    Por que a eleição de Rausch gera polêmica?

    A comparação histórica foi imediata. Heidi Reichinnek, líder do partido A Esquerda, classificou Rausch como "o primeiro presidente parlamentar de extrema direita desde Hermann Göring", braço direito de Adolf Hitler. O tom crítico de Reichinnek não se limitou à AfD, mas também recaiu sobre a postura da CDU, sigla liderada por Friedrich Merz, cujos membros foram acusados de colaborar, ainda que indiretamente, para a ascensão do extremista.

    Enquanto legendas como os Verdes e o SPD orientaram votos contrários, a bancada da CDU optou pela abstenção. Para observadores da cena política, esse movimento é interpretado como uma ambiguidade perigosa diante da ascensão de grupos radicais, especialmente em um cenário onde a AfD busca consolidar seu primeiro governo estadual até dezembro.

    Impacto na estabilidade parlamentar

    O líder do SPD, Matthias Miersch, afirmou que o episódio terá repercussões diretas nas discussões políticas em Berlim, sinalizando que a aliança e a postura dos partidos tradicionais frente à extrema direita serão reavaliadas. Por outro lado, Thorsten Frei, do grupo parlamentar da CDU no Bundestag, classificou as acusações de que seu partido teria viabilizado a vitória como "pura especulação", embora tenha admitido preocupação com o precedente aberto.

    O caso na Saxônia-Anhalt serve como um termômetro para a fragmentação partidária na Alemanha. A capacidade da AfD em angariar votos além de sua base ideológica levanta questionamentos sobre a resiliência do cordão sanitário democrático que historicamente isolou legendas radicais no país. A expectativa agora é observar como as coligações federais reagirão a esse novo desenho de poder nos estados alemães.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 06/10/2026 às 13:25 (horário de Boa Vista).

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