MUNDO

    Guinada de Trump e crise na Europa elevam otimismo da Rússia

    A postura de Donald Trump em relação a Putin e as crises europeias geram um sentimento de vantagem estratégica para o Kremlin no cenário global de 2026.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO20 de outubro de 2026
    Donald Trump e líderes europeus em reunião diplomática, ilustrando a guinada de Trump na geopolítica internacional.
    Reprodução: Folha de S.Paulo

    Guinada de Trump e crise na Europa elevam otimismo da Rússia

    O cenário geopolítico global atravessa uma mudança significativa nesta terça-feira (20), com a recente guinada de Trump em favor de Vladimir Putin. Em Moscou, essa alteração na política externa dos Estados Unidos, somada às crescentes crises políticas na Europa, tem alimentado um sentimento de vitória estratégica no Kremlin, sinalizando um possível reordenamento das forças globais para o próximo ano.

    Como a guinada de Trump impacta a guerra na Ucrânia?

    A percepção de ganho estratégico por parte do governo russo é resultado de um longo processo de instabilidade nas relações internacionais. Se em 2025 o retorno do republicano à Casa Branca gerou expectativas mistas, o cenário atual demonstra uma aproximação pragmática. Diferente do início da gestão, quando a retórica de Donald Trump variava entre o apoio militar aos ucranianos via Europa e críticas a Volodimir Zelenski, os acontecimentos das últimas duas semanas marcaram uma mudança definitiva.

    Preocupado com os impactos da inflação e o custo dos combustíveis — agravado por conflitos no Irã — nas eleições republicanas de novembro, o governo dos EUA suspendeu sanções cruciais ao setor energético russo e fechou contratos de importação de diesel. Essa manobra, que causou forte reação negativa entre aliados europeus, enfraqueceu a posição de Kiev nas negociações.

    O peso da crise política europeia no cenário internacional

    Além da movimentação americana, o crescimento de correntes de ultradireita na Europa, que manifestam um sentimento anti-Kiev, tem servido como um ativo estratégico para Moscou. A fragmentação da unidade europeia em relação ao suporte militar e financeiro à Ucrânia permite que o Kremlin avance em sua narrativa de que o Ocidente perdeu o fôlego diplomático.

    A exigência recente de Washington para que a Ucrânia realize eleições, apesar da vigência da lei marcial no país, coloca Zelenski em uma posição de isolamento político sem precedentes desde o início do conflito. De acordo com informações obtidas pela Folha de S.Paulo, o otimismo em Moscou é contido por uma postura de prudência, mas a sensação de que o equilíbrio de poder pendeu a favor do lado russo é evidente nos círculos governamentais.

    O desdobramento dessas tensões aponta para um inverno europeu marcado por incertezas econômicas e diplomáticas. A continuidade ou não do suporte ocidental à soberania ucraniana dependerá, agora, de como essas potências reagirão às novas diretrizes da Casa Branca frente ao setor de energia e à estabilidade das fronteiras no Leste Europeu.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 20/10/2026 às 08:23 (horário de Boa Vista).

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