Impeachment de ministros do STF: candidatos ao Senado revelam posicionamento para 2026
A crise institucional entre os poderes pautou as declarações dos principais nomes que disputam o Senado Federal. Levantamento revela que a maioria dos candidatos competitivos no Sudeste apoia a abertura de processos contra magistrados.
A grave crise institucional que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste mês consolidou-se como um dos temas centrais na corrida eleitoral para o Legislativo. Candidatos ao Senado Federal, única instância com poder constitucional para processar e julgar magistrados da Suprema Corte, têm sido pressionados a declarar voto sobre o impeachment de ministros do STF.
De acordo com levantamento realizado pela Folha de S.Paulo, que mapeou os líderes nas pesquisas de intenção de voto (Datafolha e Quaest) em diversos estados, a pauta da responsabilização de ministros ganhou tração tanto em redutos conservadores quanto em frentes da centro-esquerda. No cenário nacional, o Senado Federal é visto como a chave para o equilíbrio entre os Poderes, o que torna o posicionamento dos postulantes um fator decisivo para o eleitorado em 2026.
Como os candidatos ao Senado se posicionam sobre o impeachment de ministros do STF
Na região Sudeste, o levantamento aponta que 28 dos 39 candidatos considerados mais competitivos defendem abertamente a abertura de processos de impeachment contra membros do Supremo. Apenas quatro se manifestaram de forma contrária, enquanto três não apresentaram uma posição definida. Outros quatro nomes, embora evitem a palavra 'impeachment', defendem reformas estruturais no Poder Judiciário, incluindo a implementação de mandatos fixos para ministros.
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o apoio à medida é expressivo. Dos seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas, cinco são favoráveis ao mecanismo de cassação: André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Guto Schiavetto (Missão) e Geraldo Rufino (Podemos). A exceção entre os líderes é Simone Tebet (PSB).
Divergências no campo progressista e a tese do crime de responsabilidade
Um dos pontos de maior atenção no debate político é o posicionamento de Marina Silva. Diferente de outros aliados do atual governo, a candidata da Rede defende que o Senado exerça seu papel fiscalizador com rigor. Durante debate promovido pela Folha/UOL, Marina afirmou que a cassação é um instrumento legítimo quando há comprovação de crime de responsabilidade.
"Se o Senado pode aprovar [o nome do ministro], pode também cassar. Em todo ou qualquer caso de crime de responsabilidade, eu sou favorável que se abra o processo e, comprovadas as acusações, pela cassação", declarou a candidata. Essa postura a isola de outros nomes do campo progressista que veem nos pedidos de impeachment uma tentativa de desestabilização da democracia.
Reforma do Judiciário Brasil: além do impeachment
Para além da remoção de magistrados, parte dos candidatos defende uma reforma do Judiciário Brasil que limite os poderes individuais dos ministros. Entre as propostas mencionadas pelos postulantes ao Senado estão:
- Fim das decisões monocráticas em temas de relevância nacional;
- Estabelecimento de mandatos com tempo determinado (atualmente o cargo é vitalício até a aposentadoria compulsória);
- Rigidez nos prazos de pedidos de vista em processos judiciais.
Para o eleitor de Roraima e de todo o Brasil, o acompanhamento dessas propostas é fundamental, uma vez que a composição do Senado em 2027 ditará o ritmo das relações entre Brasília e o Judiciário. A legislação atual exige maioria absoluta para a aprovação de uma destituição, o que torna cada cadeira na Casa Alta um ativo político estratégico para os próximos anos.
O acompanhamento rigoroso do rito constitucional previsto na Lei nº 1.079/50 é o que garante a segurança jurídica do processo. O eleitor pode consultar o histórico de votações e as prerrogativas do Senado diretamente no portal oficial da Casa para entender como cada representante utiliza esse instrumento de controle.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 30/09/2026 às 03:00 (horário de Boa Vista).
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