TECNOLOGIA

    Inteligência artificial na guerra: potências aceleram investimentos

    O avanço da inteligência artificial militar ganha escala global com aportes bilionários, desafiando debates éticos sobre o futuro dos conflitos armados.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO18 de outubro de 2026
    Caças modernos em voo representam a inteligência artificial na guerra e o avanço da tecnologia militar global.
    Reprodução: Folha de S.Paulo

    O avanço da inteligência artificial na guerra global

    O acalorado debate ético sobre os riscos existenciais da inteligência artificial não tem sido suficiente para frear a implementação de tecnologias autônomas em conflitos reais. Longe da teoria, o cenário geopolítico atual mostra que governos estão acelerando a integração de sistemas inteligentes em suas forças armadas, consolidando uma nova era para o setor de defesa.

    Os Estados Unidos lideram essa corrida tecnológica. Para o ano fiscal de 2027, o governo de Donald Trump solicitou ao Congresso um orçamento de cerca de R$ 1 trilhão destinado especificamente a projetos de inteligência artificial aplicada à defesa. O valor, que representa quase 10% do PIB brasileiro, sinaliza um aumento de 45% em relação ao ciclo orçamentário anterior, evidenciando que a inteligência artificial na guerra tornou-se uma prioridade estratégica inegociável.

    Impactos do uso de sistemas autônomos na defesa

    Dentro desse montante, o chamado Grupo de Guerra Autônomo recebeu um incremento substancial, saltando de R$ 1,1 bilhão para R$ 285 bilhões. Esse fluxo de capital busca responder à demanda por sistemas capazes de tomar decisões em frações de segundo, um diferencial crítico em teatros de operações modernos. Contudo, essa velocidade gera atritos internos. Gigantes do setor tecnológico, como Anthropic e OpenAI, têm alertado para o ritmo acelerado da transição, enquanto a administração Trump classifica tais preocupações como alarmismo.

    A judicialização de parcerias entre o Pentágono e empresas de tecnologia ilustra a complexidade dessa transição. Recentemente, o governo americano cancelou um contrato de R$ 1 bilhão com a Anthropic para o uso de sua IA, o Claude, em sistemas militares, resultando em uma batalha legal que ainda tramita nos tribunais.

    A necessidade do elemento humano em tecnologias militares

    Apesar da automação, especialistas reforçam que o controle humano permanece como um pilar fundamental. Peter Nilsson, chefe da divisão de armas avançadas da Saab — fabricante do caça Gripen, aeronave de combate essencial para a defesa brasileira — enfatiza que a tecnologia deve servir como suporte, não como substituto absoluto da decisão humana.

    "Oficiais de ética são o futuro, e no fim do processo você precisa manter um humano no jogo. A tecnologia pode fazer o que quiser, mas a responsabilidade sobre o uso da força exige julgamento moral", afirma Nilsson. O equilíbrio entre o poder de processamento da inteligência artificial na guerra e a supervisão humana segue como o principal desafio para as potências que disputam a hegemonia tecnológica global nesta década.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 17/10/2026 às 22:00 (horário de Boa Vista).

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