Itália aprova reforma eleitoral de Meloni que altera peso dos votos
A Câmara dos Deputados da Itália aprovou, nesta quinta-feira (8), mudanças no sistema eleitoral que favorecem a governabilidade e alteram o peso dos votos dos italianos no exterior.
Reforma eleitoral na Itália altera sistema de votação
A Câmara dos Deputados da Itália aprovou, nesta quinta-feira (8), uma reforma na lei eleitoral proposta pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. A medida, que altera a dinâmica de distribuição de cadeiras no Parlamento, entra em vigor pouco antes das eleições gerais previstas para o primeiro semestre de 2027.
O governo defende que a mudança é essencial para garantir a reforma eleitoral na Itália, promovendo maior estabilidade política e assegurando a formação de coligações sólidas. Por outro lado, a oposição critica a manobra, classificando-a como uma tentativa de autofavorecimento para evitar derrotas eleitorais da direita.
Como fica a votação para italianos no exterior?
Uma das alterações mais significativas impacta diretamente a comunidade italiana fora do país. O sistema, que anteriormente contava com quatro colégios eleitorais para votantes no exterior, foi reduzido para apenas dois: Europa e o resto do mundo. A medida limita o alcance da representação de quem vive fora da península, gerando debates sobre o impacto nas futuras eleições legislativas.
O fim do sistema misto e a adoção do proporcional puro
A legislação substitui o sistema misto, vigente desde 2017, pelo chamado "proporcional puro". Sob as novas regras, as cadeiras serão distribuídas estritamente conforme o desempenho de cada partido nas urnas. Para garantir a governabilidade, o projeto introduz um prêmio: a coligação que atingir ao menos 42% dos votos válidos receberá um reforço de 70 deputados e 35 senadores, respeitando um teto estabelecido para ambas as casas.
Tensões políticas e aprovação definitiva
A aprovação ocorreu após meses de impasses e disputas internas na coalizão governista. Em julho, parte do projeto chegou a ser rejeitada devido a votos secretos de parlamentares da própria base. Após ajustes e a aprovação no Senado em setembro, o texto recebeu o aval definitivo da Câmara com 227 votos favoráveis e 164 contrários.
Segundo relatos de bastidores citados pela Folha de S.Paulo, a própria primeira-ministra teria condicionado a continuidade de sua gestão à aprovação da matéria, sinalizando que poderia renunciar caso a proposta fosse derrotada.
As mudanças alteram profundamente o cenário político europeu e são observadas por analistas internacionais como um movimento estratégico para blindar o atual governo contra futuras fragmentações parlamentares.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 08/10/2026 às 11:37 (horário de Boa Vista).
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