Itamaraty reage a ataques de Milei contra o processo eleitoral brasileiro
Em nota oficial, o Itamaraty classificou as declarações do presidente argentino Javier Milei sobre o sistema de votação do Brasil como uma tentativa de interferência indevida na democracia nacional.
Itamaraty rebate críticas de Javier Milei ao processo eleitoral
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu uma nota oficial nesta terça-feira (20) rebatendo duramente as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre as eleições brasileiras. O órgão classificou a postura do mandatário argentino como uma "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro".
A reação diplomática foi motivada por publicações de Milei nas redes sociais, nas quais ele questionou a lisura do pleito ao sugerir que a campanha do presidente Lula estaria recorrendo a "artimanhas" para "roubar a eleição". O atrito ocorre a poucos dias do segundo turno, intensificando a crise diplomática entre os dois países vizinhos.
Por que o governo brasileiro criticou a postura de Javier Milei?
Para o Itamaraty, o comportamento de Milei é considerado antidemocrático e incompatível com a diplomacia esperada entre nações amigas. O ministério reforçou que a decisão sobre o futuro político do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que irá às urnas no próximo domingo (25) sem qualquer tipo de influência estrangeira.
Em resposta às suspeitas levantadas pelo presidente argentino, o governo brasileiro destacou que o sistema de voto eletrônico é comprovadamente seguro. Segundo a pasta, o mecanismo nunca registrou irregularidades técnicas e teve sua integridade atestada por observadores internacionais logo após o primeiro turno das eleições.
Contexto da crise diplomática entre Brasil e Argentina
O episódio é mais um capítulo no desgaste das relações bilaterais entre Brasília e Buenos Aires. O governo brasileiro, em um gesto de forte descontentamento, chegou a convocar o embaixador do Brasil na Argentina para consultas, mantendo a medida até que as ofensas verbais diretas ao presidente Lula cessem.
Javier Milei, que mantém uma postura alinhada à direita e declara apoio ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro, tem utilizado suas redes sociais para criticar a gestão petista. Do outro lado, o chanceler argentino, Pablo Quirno, mantém a expectativa de uma mudança ideológica na região, sem sinais de reaproximação diplomática entre os dois governos até o momento. O cenário reforça a tensão política às vésperas do encerramento do processo eleitoral brasileiro.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 20/10/2026 às 15:38 (horário de Boa Vista).
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