POLÍTICA

    Jalser Renier é preso em Boa Vista por suspeita de compra de votos e associação criminosa

    O ex-deputado e candidato Jalser Renier foi detido pela Polícia Federal durante a Operação Filargíria, após a apreensão de dinheiro e planilhas de campanha em seu escritório.

    FONTE: G125 de setembro de 2026
    Agentes da PF em frente ao escritório de Jalser Renier preso em Boa Vista por suspeita de crime eleitoral.
    Reprodução: G1

    O cenário político de Roraima foi abalado nesta quinta-feira (24) com a notícia de que Jalser Renier preso em Boa Vista pela Polícia Federal (PF). A detenção ocorreu sob suspeita de prática de crime eleitoral e associação criminosa no contexto das Eleições 2026 em Roraima. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no escritório do candidato, os agentes federais localizaram R$ 19 mil em espécie e planilhas que indicariam um esquema de compra de votos em Roraima.

    Entenda a Operação Filargíria e a compra de votos em Roraima

    A prisão de Jalser Renier aconteceu de forma inesperada durante o desenrolar da Operação Filargíria Polícia Federal. Originalmente, a ação visava investigar crimes de lavagem de dinheiro. No entanto, ao ingressarem no escritório do candidato, as equipes do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) encontraram documentos sensíveis. Segundo informações apuradas pelo portal G1, as planilhas continham nomes de cabos eleitorais e a sigla “BU”, que os investigadores associam a uma possível contabilidade de votos negociados.

    A Operação Filargíria Polícia Federal é um desdobramento direto de uma investigação iniciada em outubro de 2025, quando um indivíduo foi detido com mais de R$ 300 mil em dinheiro vivo. A PF aponta que há indícios de uma estrutura organizada para a distribuição de valores em espécie e o uso de contas de passagem para movimentar recursos possivelmente desviados do erário público. O objetivo atual é identificar todos os beneficiários dessa rede financeira.

    De crime eleitoral a associação criminosa: a prisão de Jalser Renier

    O desdobramento jurídico da prisão gerou tensão ao longo da tarde. Inicialmente, o delegado responsável arbitrou uma fiança de 100 salários mínimos (aproximadamente R$ 160 mil) para que o candidato respondesse em liberdade pelo suposto crime eleitoral Roraima 2026. Contudo, após questionamentos da defesa sobre o valor considerado “absurdo”, a autoridade policial reavaliou o caso.

    Com a análise aprofundada dos documentos colhidos no escritório, o delegado decidiu acrescentar a tipificação de associação criminosa. Por se tratar de um crime que não admite fiança na esfera policial, a liberdade provisória foi revogada e Jalser Renier permaneceu sob custódia, aguardando a audiência de custódia, onde um juiz eleitoral decidirá o futuro imediato de sua liberdade.

    A situação jurídica de Jalser Renier nas Eleições 2026 em Roraima

    A trajetória política de Jalser Renier é marcada por controvérsias e embates judiciais. Ele, que ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Roraima por 27 anos, teve seu mandato cassado em 2022 por quebra de decoro parlamentar. O motivo central foi a acusação de ser o mandante do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos em 2020. No processo penal derivado desse caso, Renier é réu por sete crimes graves, incluindo constituição de milícia privada e tortura qualificada.

    A cassação impunha uma inelegibilidade até o ano de 2030. No entanto, a candidatura Jalser Renier STF foi viabilizada por uma decisão liminar do ministro Nunes Marques, em agosto. A medida suspendeu parcialmente os efeitos da cassação, permitindo que ele participasse das convenções e registrasse sua candidatura para o pleito atual. Agora, este novo incidente com a Polícia Federal adiciona mais um capítulo de incerteza sobre sua viabilidade política e jurídica.

    Manifestações e reações na sede da Polícia Federal

    Enquanto o depoimento ocorria dentro da sede da PF em Boa Vista, o lado de fora foi tomado por apoiadores do candidato. Munidos de bandeiras e entoando gritos de “injustiça”, o grupo realizou atos de apoio. A esposa de Jalser, a médica e também candidata Dra. Taty, compareceu ao local, onde participou de momentos de oração e cantos religiosos junto aos manifestantes, mas optou por não dar declarações detalhadas à imprensa no momento.

    A defesa do político, representada pelo advogado Carlos Vilareal, sustenta que as planilhas apreendidas referem-se apenas ao controle de pessoal remunerado e voluntários da campanha, prática comum no período eleitoral. A defesa aposta na análise técnica do Judiciário e do Ministério Público Federal para reverter o que chamam de “erro da Polícia Federal” durante a audiência de custódia.

    O caso segue sob acompanhamento rigoroso das autoridades eleitorais, e o resultado da audiência de custódia definirá se Jalser Renier poderá continuar realizando atos de campanha nas ruas ou se permanecerá detido durante o processo de investigação sobre compra de votos em Roraima. A Polícia Federal continua a análise dos materiais eletrônicos e documentos apreendidos para verificar a extensão da rede de associação criminosa mencionada no inquérito.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 24/09/2026 às 17:39 (horário de Boa Vista).

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