Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de crime eleitoral em Boa Vista
O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi detido em flagrante durante a Operação Filargíria; defesa contesta enquadramento de associação criminosa.
O cenário político do estado foi impactado nesta quinta-feira (24) com a notícia de que Jalser Renier preso em Boa Vista. O candidato a deputado estadual pelo PSDB foi detido em flagrante pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de crime eleitoral e associação criminosa. A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em seu escritório, onde agentes localizaram R$ 19 mil em espécie e documentos que indicariam a prática de compra de votos.
Apreensão de dinheiro e planilhas de 'boca de urna'
A ação da Polícia Federal, batizada de Operação Filargíria, tinha como objetivo inicial investigar crimes de lavagem de dinheiro. No entanto, ao revistarem o escritório do candidato, os policiais encontraram planilhas de campanha com anotações específicas. Segundo apurações do portal G1, os documentos continham a sigla "BU", termo comumente associado à prática de boca de urna.
Além do montante em dinheiro, a PF identificou listas com nomes de cabos eleitorais e apoiadores remunerados. O delegado responsável pelo caso inicialmente arbitrou uma fiança de 100 salários mínimos (aproximadamente R$ 160 mil). Contudo, após análise detalhada e diálogo com a defesa, a autoridade policial decidiu revogar a fiança e adicionar a tipificação de associação criminosa, crime que, por lei, não permite a liberdade provisória mediante pagamento imediato.
Esposa e apoiadores realizam vigília em frente à sede da PF
Logo após a confirmação da prisão, um grupo de manifestantes e apoiadores se concentrou em frente à sede da Polícia Federal, na capital de Roraima. Portando bandeiras e adesivos de campanha, o grupo demonstrou apoio ao ex-deputado. A médica Tatyanne Aguillera, esposa de Jalser Renier, liderou um momento de oração e cânticos religiosos, como as canções "Aquilo que parecia impossível" e "Não há ferrolhos, nem portas".
A defesa do candidato, representada pelo advogado Carlos Vila Real, classificou a decisão da PF como um equívoco técnico. Em nota, a defesa afirmou que as planilhas encontradas referem-se apenas à organização logística de voluntários e pessoal contratado. "Acreditamos que, no primeiro momento em que houver uma análise judicial, esse erro da Polícia Federal deverá ser corrigido pela Justiça Eleitoral", declarou Vila Real.
Operação Filargíria e o histórico de Jalser Renier preso em Boa Vista
A Operação Filargíria é um desdobramento de investigações iniciadas em 2025, após a prisão de um indivíduo com mais de R$ 300 mil em espécie. A PF investiga uma rede de utilização de contas de passagem para movimentar recursos supostamente desviados de cofres públicos. O escritório alvo das buscas nesta quinta-feira é o mesmo local onde Jalser foi preso em 2021, em um processo anterior.
Jalser Renier Padilha possui uma trajetória marcada por polêmicas e longevidade política. Deputado por 27 anos, ele teve seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022. A cassação foi motivada por quebra de decoro parlamentar, após ele ser apontado como o mandante do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos, ocorrido em 2020.
Situação jurídica e as Eleições 2026 em Roraima
Apesar da cassação tê-lo tornado inelegível até 2030, Jalser obteve uma liminar concedida pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto. A decisão suspendeu parcialmente os efeitos da perda do mandato, permitindo que ele registrasse sua candidatura para as Eleições 2026 em Roraima. Atualmente, o político é réu por sete crimes no âmbito criminal, incluindo tortura qualificada e constituição de milícia privada.
O candidato permanecerá sob custódia da Polícia Federal até a realização da audiência de custódia, onde um juiz plantonista decidirá se ele responderá ao processo em liberdade ou se a prisão será convertida em preventiva. O Ministério Público Federal (MPF) também deve se manifestar sobre o caso nas próximas horas.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 24/09/2026 às 19:01 (horário de Boa Vista).
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