Javier Milei ataca multilateralismo em meio à crise na ONU Assembleia Geral 2026
Em um discurso incisivo na 81ª Assembleia Geral, Javier Milei chamou a ONU de inútil, enquanto o Irã rebateu ameaças de Donald Trump e analisou propostas de paz para o Oriente Médio.
A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta semana, em Nova York, sua 81ª Assembleia Geral sob um clima de profunda tensão diplomática e o que o próprio secretário-geral, António Guterres, descreveu como uma grave crise existencial. Neste cenário de Crise na ONU Assembleia Geral 2026, o presidente da Argentina, Javier Milei, utilizou seu tempo de tribuna nesta quarta-feira (23) para desferir críticas severas ao órgão multilateral, chamando-o de "inútil" e reiterando a soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas.
Javier Milei critica gestão da pandemia e ataca burocracia internacional
Durante seu pronunciamento, Milei não poupou adjetivos ao classificar a atual estrutura da organização. Segundo o líder argentino, o pacto original da ONU foi rompido, transformando a instituição em uma plataforma para o que chamou de "casta de parasitas arrogantes". O presidente argentino, conhecido por suas posições libertárias radiciais, afirmou que a ONU se tornou um entrave à liberdade das nações sob o disfarce de burocracia bem-intencionada.
Um dos pontos mais polêmicos de sua fala foi o negacionismo em relação à gestão sanitária global. Milei alegou que as medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19 foram um "experimento social mundial" que buscou instigar o terror na população. No entanto, relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) reiteram que as ações de distanciamento social e protocolos de saúde foram fundamentais para salvar milhões de vidas ao redor do globo.
Soberania das Malvinas e a Crise na ONU Assembleia Geral 2026
Além das críticas institucionais, Javier Milei trouxe de volta ao centro do debate a disputa territorial com o Reino Unido. Ele reiterou que as Ilhas Malvinas são uma "causa nacional" e acusou a ONU de ignorar o avanço britânico na extração de petróleo na plataforma continental argentina, classificando a atividade como um ato ilícito perante o Direito Internacional. A comitiva do Reino Unido, presente no plenário, optou por não reagir imediatamente às declarações do mandatário.
A postura combativa de Milei ecoa o sentimento de outros líderes que passaram pela tribuna nos dias anteriores. Na terça-feira (22), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva já havia pontuado, em uma clara indireta aos Estados Unidos, que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", defendendo uma reforma na governança global que dê mais voz aos países do Sul Global.
Irã rebate Donald Trump e analisa cessar-fogo no Oriente Médio
O segundo dia da Assembleia Geral também foi marcado pelo discurso do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Em resposta às ameaças de "aniquilação" proferidas por Donald Trump no dia anterior, Pezeshkian afirmou que o Irã não se renderá e classificou as ações de Israel e dos Estados Unidos na região como terrorismo. Durante sua fala, o representante iraniano exibiu imagens de crianças vítimas de bombardeios e de líderes assassinados, o que provocou a saída da comitiva norte-americana do plenário.
Apesar da retórica agressiva, há movimentações diplomáticas nos bastidores. De acordo com informações da agência Reuters, o governo iraniano está analisando uma proposta dos EUA para finalizar o conflito no Oriente Médio. Entre os tópicos discutidos em negociações indiretas estariam a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval imposto ao país persa, embora as divergências entre as duas potências ainda sejam profundas.
Tensões geopolíticas e o futuro do multilateralismo
A 81ª Assembleia acontece em um momento onde as alianças tradicionais estão sendo testadas. Enquanto líderes como Milei e Trump questionam a eficácia das organizações internacionais, outros chefes de Estado, incluindo os presidentes do Equador e da Venezuela, buscam utilizar o espaço para denunciar sanções e crises internas. A coalizão 'Escudo das Américas', liderada pelos EUA, aproveitou o evento para anunciar novas sanções contra grupos como o PCC e o Comando Vermelho, rotulando-os como narcoterroristas.
O desfecho desta semana em Nova York definirá o tom das relações internacionais para o próximo ano. A Crise na ONU Assembleia Geral 2026 evidencia que, sem uma reforma estrutural no Conselho de Segurança e nos mecanismos de arbitragem, a organização corre o risco de se tornar meramente um palanque para discursos ideológicos, perdendo sua capacidade de mediar conflitos reais e promover a paz mundial.
Para o observador atento em Roraima, as decisões tomadas nesta Assembleia impactam diretamente a economia global, influenciando desde o preço dos combustíveis até as políticas de segurança nas fronteiras da América Latina. O acompanhamento das discussões sobre o narcotráfico e a soberania territorial permanece essencial para entender os fluxos migratórios e comerciais na região Norte do Brasil.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 23/09/2026 às 13:54 (horário de Boa Vista).
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