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    Justiça bloqueia R$ 146 milhões de empresas por garimpo na TI Yanomami

    A decisão atende pedido do MPF e atinge quatro empresas acusadas de integrar uma cadeia clandestina de extração, transporte e venda de ouro e cassiterita em Roraima.

    REDAÇÃO28 de setembro de 20263 min de leitura
    Sede da Justiça Federal em Boa Vista onde tramita processo sobre bloqueio de bens por garimpo na Terra Indígena Yanomami em Roraima.
    Reprodução: MPF Roraima

    Decisão judicial mira esquema bilionário de mineração ilegal

    A Justiça Federal em Roraima determinou o bloqueio de bens, direitos e valores de quatro empresas acusadas de operar uma rede clandestina de extração, transporte e comercialização de minérios retirados da Terra Indígena Yanomami. A decisão liminar, que atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), estabelece que os bloqueios podem somar R$ 146 milhões. A ação é um desdobramento da Operação Forja de Hefesto e foca na exploração ilegal de cassiterita e ouro na região do Pupunha.

    As investigações apontam que o minério era extraído de forma criminosa dentro do território indígena e transportado por aeronaves a partir de pistas de pouso não autorizadas. Para dar aparência de legalidade ao produto, a carga era registrada como se fosse produção de cooperados legítimos antes de ser enviada para fundição e transformação em lingotes de estanho.

    Empresas e valores bloqueados pela Justiça

    A decisão judicial estabeleceu limites financeiros individualizados para cada uma das empresas citadas no processo, proporcionalmente à participação atribuída pelo MPF no esquema de garimpo na Terra Indígena Yanomami. Confira os valores e os alvos da medida:

    • White Solder Metalurgia e Mineração Ltda.: bloqueio de até R$ 108,4 milhões. A empresa é acusada de adquirir o minério ilegal para transformá-lo em lingotes de estanho;
    • Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin): bloqueio de até R$ 31,8 milhões, incluindo um imóvel da instituição;
    • Cataratas Poços Artesianos: bloqueio de até R$ 5,4 milhões;
    • TARP Táxi Aéreo: bloqueio de até R$ 360 mil.

    Logística do garimpo: do Pupunha para o mercado formal

    O esquema detalhado pelo MPF revela uma articulação complexa que envolvia diferentes etapas da cadeia produtiva. O minério saía da região do Pupunha, no interior da reserva, e utilizava uma infraestrutura logística que incluía voos clandestinos. Documentos apreendidos e movimentações financeiras de grande expressão serviram como evidências para a Justiça Federal.

    Segundo o MPF, a lavagem do minério ocorria por meio da Coopertin, onde o produto do garimpo era registrado falsamente. Posteriormente, a White Solder realizava a fundição, inserindo o material extraído ilegalmente de Roraima no mercado nacional e internacional como se fosse de origem lícita.

    Lei Anticorrupção e investigação da Receita Federal

    A ação civil pública foi ajuizada com base na Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). O objetivo da preservação do patrimônio das empresas é garantir que, ao final do processo, haja recursos para o pagamento de multas e a reparação dos danos ambientais e sociais causados à Terra Indígena Yanomami.

    Como parte da decisão, a Receita Federal foi acionada para encaminhar à Justiça os dados de faturamento das quatro empresas entre os anos de 2021 e 2025. Essas informações, mantidas sob sigilo, servirão para calcular as sanções definitivas e podem levar a uma revisão dos valores bloqueados atualmente.

    Pedidos de suspensão de atividades

    Além do bloqueio de contas e bens, o Ministério Público Federal solicitou a suspensão imediata das atividades das empresas envolvidas e a proibição de que recebam incentivos ou benefícios públicos. Esses pedidos específicos ainda aguardam análise no julgamento do mérito do processo. Paralelamente à esfera cível, os mesmos fatos são alvo de uma ação penal em curso na Justiça Federal.

    A atuação no caso é do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade do MPF especializada no combate à mineração ilegal nos estados de Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. As empresas serão intimadas e poderão apresentar defesa após o cumprimento das ordens de bloqueio.

    Serviço e acompanhamento processual

    Cidadãos interessados em acompanhar o andamento do caso podem consultar a Ação Civil Pública nº 1011028-79.2026.4.01.4200 no portal da Justiça Federal da 1ª Região (TRF1). O processo tramita em Roraima e segue as diretrizes de transparência do Poder Judiciário para casos de interesse público e impacto ambiental.

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