POLÍTICA

    Justiça proíbe rede de supermercados de exercer assédio eleitoral

    Decisão judicial obriga empresa a esclarecer liberdade de voto aos colaboradores sob pena de multa após prática de assédio eleitoral.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL25 de outubro de 2026
    Martelo de juiz sobre mesa de tribunal representando o combate ao assédio eleitoral em ambiente corporativo
    Reprodução/Internet

    Justiça do Trabalho combate o assédio eleitoral no ambiente corporativo

    A Justiça do Trabalho emitiu uma decisão liminar determinando que uma rede de supermercados interrompa imediatamente o envio de comunicados com conteúdo político aos seus colaboradores. A medida foi tomada após uma denúncia apresentada pelo Sindicato dos Comerciários, que identificou a prática de assédio eleitoral em uma unidade da rede Supermercado Zona Sul.

    O conflito surgiu após a empresa distribuir cartas aos funcionários contendo críticas ao cenário institucional brasileiro e um apelo por mudanças, justamente nos dias que antecederam o segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa foi interpretada pelo Judiciário como uma interferência indevida na esfera de decisão individual dos trabalhadores.

    O que diz a decisão judicial sobre o voto livre?

    A juíza Cláudia de Abreu Lima Pisco, responsável pela decisão, ordenou que a empresa realize uma retratação formal. Até as 23h59 deste sábado (24), a rede deverá enviar uma nova mensagem aos empregados pelos mesmos canais utilizados originalmente para o envio do conteúdo anterior. O objetivo é esclarecer que o voto é livre e secreto, reforçando que nenhum colaborador é obrigado a revelar sua preferência política ou sofrer pressão interna.

    Além do envio digital, a rede foi obrigada a fixar comunicados oficiais em locais de grande circulação dentro dos estabelecimentos. A medida visa garantir que a orientação chegue a todos os trabalhadores, independentemente do acesso a meios digitais, visando coibir qualquer forma de assédio eleitoral nas empresas.

    Como a relação de trabalho influencia a liberdade eleitoral?

    O entendimento do tribunal, conforme relatado pelo sindicato, baseia-se na premissa de que a relação de subordinação e a dependência econômica entre empregador e empregado criam um ambiente propício para a pressão. A manifestação institucional, quando direcionada a subordinados, pode gerar receio de retaliações — como demissões ou perseguições — comprometendo a liberdade de escolha do trabalhador no momento da votação.

    O combate à pressão política no trabalho é uma pauta recorrente na Justiça do Trabalho durante períodos eleitorais, buscando assegurar que o ambiente profissional não seja utilizado como ferramenta de doutrinação ou intimidação. A assessoria de imprensa do Supermercado Zona Sul, ao ser procurada pela Agência Brasil, informou que não fará pronunciamentos sobre o caso.

    O cidadão que se sentir pressionado por seus superiores ou que presenciar práticas de coação de voto em Boa Vista ou em qualquer outra localidade, pode realizar denúncias nos canais oficiais do Ministério Público do Trabalho (MPT) ou nos sindicatos de sua categoria profissional, garantindo assim o sigilo de sua identidade e o cumprimento da legislação vigente.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 24/10/2026 às 16:48 (horário de Boa Vista).

    Receba as notícias de Roraima no WhatsApp

    Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.

    Entrar no grupo

    Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.

    Compartilhar