REGIONAL

    Líder do Comando Vermelho comanda facção na Bolívia a partir da Penha

    Um ano após a Operação Contenção, um dos líderes do Comando Vermelho mantém o controle de operações criminosas a partir do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

    FONTE: FOLHA DE S.PAULO28 de outubro de 2026
    Policiais em operação no Rio de Janeiro investigam o Comando Vermelho e conexões internacionais com a Bolívia
    Reprodução/Internet

    Líder do Comando Vermelho mantém base operacional na Penha

    Um ano após a Operação Contenção, considerada a mais letal da história recente no Rio de Janeiro, o Complexo da Penha, na zona norte fluminense, permanece como reduto de lideranças do Comando Vermelho (CV). Entre os procurados que utilizam a localidade como base está Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, conhecido como Zeus, cuja influência transcende as fronteiras do estado e alcança até o território boliviano.

    Como funciona a expansão do Comando Vermelho para a Bolívia?

    Investigações da Polícia Civil revelam que Zeus não apenas gerencia o tráfico na Muzema, na zona oeste do Rio, mas também atua como elo estratégico com o estado de Rondônia. Documentos interceptados pela polícia indicam que a facção utiliza aplicativos de mensagens para distribuir diretrizes operacionais. Em fevereiro deste ano, um comunicado interno do grupo anunciou que Zeus e um comparsa identificado como Bronix assumiriam a liderança estratégica das cidades de Santa Cruz e Trinidad, na Bolívia.

    O texto, redigido em português e espanhol, enfatiza que o criminoso, originário de Rondônia, possui autonomia total e o respaldo do conselho da facção. A conexão com o estado nortista não é acidental: Zeus foi preso em 2015 em Rondônia e cumpriu pena no Presídio Federal de Porto Velho, período em que teria mantido contato com figuras centrais da cúpula do CV, como Fernandinho Beira-Mar.

    Conexões criminosas entre Rondônia e o crime organizado no Rio

    Registros policiais apontam que, durante seu encarceramento no sistema federal, Zeus teria sido instruído sobre como transmitir ordens para o exterior das prisões, utilizando advogados e bilhetes. Após sua soltura, ele se estabeleceu no Rio de Janeiro durante a pandemia de Covid-19, período em que, segundo as autoridades, financiou a tomada de controle da Muzema, território anteriormente sob domínio de milicianos.

    Atualmente, o criminoso, também identificado pela alcunha de Da Roça, possui dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e associação criminosa, expedidos pelas Justiças do Rio de Janeiro e de Rondônia. Desde dezembro de 2025, seu nome consta na lista de procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

    A Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025, visava desarticular essas estruturas de poder e localizar lideranças como Zeus e Doca, cujo paradeiro permanece desconhecido pelas forças de segurança. A defesa dos investigados não comentou as acusações apresentadas no relatório policial publicado pela Folha de S.Paulo. As autoridades seguem monitorando a rede de inteligência do Comando Vermelho para conter a expansão de suas atividades internacionais e a manutenção de bases operacionais em favelas cariocas.

    Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 28/10/2026 às 09:00 (horário de Boa Vista).

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