MUNDO

    Lula critica Trump e avalia relações Brasil e Estados Unidos

    Em entrevista à CNN, o presidente brasileiro classificou o comportamento de Donald Trump como o de um 'imperador' e sinalizou o uso da Lei de Reciprocidade diante das sobretaxas impostas às exportações nacionais.

    FONTE: G121 de setembro de 2026
    Presidente Lula discute as relações Brasil e Estados Unidos e os impactos das tarifas comerciais para o país.
    Reprodução: G1

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom das críticas contra o governo de Donald Trump nesta segunda-feira (21), durante sua passagem por Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Em entrevista à CNN, Lula afirmou que o líder norte-americano atua sob a lógica da “lei do mais forte” e que sua postura nas relações Brasil e Estados Unidos assemelha-se à de um imperador que impõe regras de forma unilateral.

    Impacto das tarifas nas relações Brasil e Estados Unidos

    O principal ponto de atrito diplomático e econômico discutido foi o chamado "tarifaço" norte-americano. Atualmente, diversos produtos brasileiros enfrentam sobretaxas que podem chegar a 37,5%. O governo dos EUA justifica as medidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio, citando disputas sobre o Pix, a regulação de plataformas digitais e o etanol, além de alegações sobre falhas na fiscalização do trabalho.

    Lula destacou que o Brasil possui um déficit na balança comercial com os norte-americanos e classificou as barreiras como injustas. Embora setores como carne bovina e café tenham isenções, o maquinário agrícola e o etanol sofrem impactos diretos, o que repercute em toda a cadeia produtiva nacional.

    Lei de Reciprocidade Econômica e o mercado nacional

    Diante da falta de avanços nas negociações, o presidente brasileiro sinalizou que pode aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional. A medida permitiria ao Brasil taxar produtos importados dos Estados Unidos na mesma proporção das barreiras enfrentadas pelas exportações brasileiras.

    "Eu não pretendo entrar em uma guerra tarifária, eu sou de negociação. Mas, caso não seja possível porque os EUA não querem, teremos que tomar atitudes", declarou Lula. Ele enfatizou que o governo está identificando quais produtos norte-americanos de alto interesse para o mercado interno poderiam entrar na lista de reciprocidade.

    Crise na Venezuela e preocupações em Roraima

    A situação política na Venezuela, tema sensível para o estado de Roraima devido ao fluxo migratório e à proximidade geográfica, também foi abordada. Lula classificou como “grave” a recente ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro. Para o petista, a soberania do país vizinho foi comprometida.

    O presidente defendeu que a solução para a crise venezuelana deve passar pelo voto popular. Ele sugeriu que a presidência interina convoque eleições gerais o mais rápido possível para que a população escolha seu governante, criticando a percepção de que os EUA estariam "governando" o território venezuelano.

    Cenário para as Eleições 2026 e interferência externa

    Com o pleito de 2026 no horizonte, Lula expressou preocupação com a desinformação e o uso de inteligência artificial. Ele acusou figuras políticas brasileiras de atuarem nos EUA contra os interesses nacionais e mencionou suspeitas de interferência externa nas eleições brasileiras, citando o senador norte-americano Marco Rubio como um ponto de atenção devido às suas ligações com o bolsonarismo.

    O governo brasileiro mantém o acionamento diplomático na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as barreiras comerciais, enquanto aguarda o discurso oficial de abertura da ONU nesta terça-feira (22), onde Lula deve reforçar a necessidade de um sistema multilateral de comércio mais equilibrado e o respeito à soberania das nações latino-americanas.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 21/09/2026 às 15:36 (horário de Boa Vista).

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