Mãe de jovem morto pela PM com 27 tiros exige justiça em São Paulo
Após a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, atingido por 27 disparos em abordagem policial em Moema, sua mãe contesta a versão oficial e a postura da Secretaria de Segurança Pública.
Violência policial em São Paulo gera comoção nacional
O caso envolvendo a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, segue repercutindo após o jovem ser atingido por 27 disparos efetuados por agentes da Polícia Militar de São Paulo. A abordagem, que ocorreu na madrugada do dia 10 de outubro no bairro de Moema, zona sul da capital paulista, terminou em uma fatalidade que levanta questionamentos sobre o protocolo de uso da força letal.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (14) ao programa Bom Dia SP, da TV Globo, a mãe do jovem, Santiana Munis, manifestou sua indignação com a condução do caso e com a postura das autoridades. "A minha alma está destruída, mas o corpo tem que reagir", declarou Santiana, reforçando que pretende lutar para que o episódio não seja tratado como uma ocorrência rotineira.
Reação à postura da Segurança Pública paulista
A família de Gustavo critica veementemente o posicionamento do secretário da Segurança Pública do estado, Osvaldo Nico Gonçalves, que defendeu a ação dos policiais envolvidos. Para a mãe da vítima, a normalização da violência policial é um risco para toda a sociedade. "Eu fiquei mais indignada de o secretário dizer que é normal. Que protocolo que é esse, gente? Se a gente deixar, todo mundo vai morrer com 45 tiros", afirmou.
Santiana Munis enfatizou que Gustavo não possuía antecedentes criminais e classificou o ocorrido como uma execução. A família busca agora respostas sobre a necessidade de tamanha letalidade em uma situação que, segundo a defesa, poderia ter sido resolvida de outra forma.
Entenda a dinâmica da abordagem policial
Imagens registradas por câmeras de segurança na alameda dos Guaramomis mostram o momento em que Gustavo é abordado pelos PMs enquanto estava no recuo de um imóvel. O vídeo exibe o rapaz caminhando em direção à via com um aparelho celular nas mãos, em uma postura que os agentes alegaram ter sido confundida com o porte de uma arma de fogo.
Após ser atingido pelos primeiros disparos e cair, as imagens mostram que o jovem continuou a ser alvejado pelos policiais, totalizando 27 tiros. A perícia técnica realizada no local confirmou posteriormente que Gustavo portava apenas um celular, descartando a presença de qualquer armamento com o jovem. O caso segue sob investigação para apurar a responsabilidade dos policiais envolvidos e a legalidade da conduta no momento da abordagem.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 14/10/2026 às 09:30 (horário de Boa Vista).
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