TECNOLOGIA

    Manus arrecada US$ 500 milhões após intervenção da China

    Após ter sua venda para a Meta frustrada pelo governo chinês, a startup de IA Manus retoma independência e fecha rodada milionária de investimentos.

    FONTE: C-LEVEL08 de outubro de 2026
    Aplicativo da startup Manus rodando em um smartphone, contextualizando o aporte de 500 milhões de dólares na Manus.
    Reprodução: C-Level

    O ressurgimento da Manus no mercado de inteligência artificial

    A startup de inteligência artificial Manus, protagonista de um dos episódios mais emblemáticos de disputa geopolítica tecnológica recente, anunciou nesta quinta-feira (8) a captação de mais de US$ 500 milhões. O aporte ocorre poucos meses após a empresa, fundada na China e sediada em Singapura, ter seu processo de aquisição pela gigante Meta — dona do Facebook e WhatsApp — vetado pelo governo chinês.

    O volume financeiro arrecadado, liderado pela Boyu Capital e IDG Capital, marca uma nova fase para a companhia, que retomou suas operações de forma independente. Investidores como Tencent, HSG Capital e ZhenFund também participaram da rodada. Embora a avaliação de mercado da Manus não tenha sido confirmada oficialmente, estimativas de mercado sugerem que a startup possa estar avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, o dobro do valor proposto pela Meta no final de 2025.

    Por que a China bloqueou a venda para a Meta?

    O bloqueio da transação, ocorrido em abril, foi interpretado por analistas como uma demonstração de força de Pequim para manter o controle sobre inovações estratégicas desenvolvidas internamente. Segundo relatos da época, o órgão de planejamento econômico chinês não apenas impediu o negócio, como também teria imposto restrições de viagem aos cofundadores da Manus.

    A postura da China reflete uma tendência global onde nações buscam proteger seu ecossistema de tecnologia contra a influência de gigantes do Vale do Silício. A Manus, que desenvolve agentes de IA capazes de automatizar tarefas complexas do mundo real, tornou-se um ativo valioso demais para ser absorvido por uma empresa estrangeira na visão dos reguladores locais.

    Novos produtos e o futuro da Manus

    Com o capital recém-captado, a startup foca na expansão de sua tecnologia. Em setembro, a empresa lançou uma atualização robusta de seus agentes de IA e apresentou o Cue, um novo aplicativo independente. O software permite que usuários criem assistentes pessoais para tarefas cotidianas, como agendamentos e chamadas telefônicas, competindo diretamente com inovações similares da própria Meta.

    A estratégia atual da empresa inclui a formação de equipes dedicadas ao mercado doméstico chinês, sinalizando uma tentativa de conciliação ou pelo menos de adaptação às exigências do regime. Os cofundadores, que anteriormente haviam sido impedidos de sair do país, marcaram presença no evento oficial em Singapura, indicando uma normalização de suas atividades.

    Este movimento da Manus reforça como o setor de inteligência artificial, um dos segmentos mais aquecidos da tecnologia global, continua sendo o centro de tensões entre inovação corporativa e soberania nacional. A capacidade da startup em atrair meio bilhão de dólares após uma crise política comprova a confiança do mercado no potencial dos seus agentes autônomos.

    Fonte: C-Level · publicado originalmente em 08/10/2026 às 08:51 (horário de Boa Vista).

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