Ministra defende pacto de enfrentamento à violência contra as mulheres em Roraima
Em agenda oficial em Boa Vista, ministra Márcia Lopes destaca redução de 40% nos feminicídios em Roraima e defende integração da rede de proteção para evitar o 'fim da linha'.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, cumpriu agenda oficial em Boa Vista nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), com foco central no fortalecimento da rede de proteção e no enfrentamento à violência contra as mulheres em Roraima. Durante a Reunião Extraordinária do Colegiado Gestor da Casa da Mulher Brasileira e a instalação do Fórum Estadual de Organismos de Políticas para as Mulheres, a ministra defendeu a criação de um pacto estadual integrado entre órgãos públicos para interromper o ciclo de abusos que culmina no feminicídio.
Feminicídio em Boa Vista: 'O fim da linha' de um ciclo de abusos
Para a ministra, o assassinato de mulheres por questões de gênero não é um fato isolado, mas o desfecho trágico de uma escalada de agressões. "A gente fala que o feminicídio é o fim da linha. Ele sempre é resultado de um processo de relação abusiva entre o parceiro e a mulher", afirmou em entrevista exclusiva à FolhaBV. A estratégia do Ministério das Mulheres foca na conscientização precoce, incentivando o uso do Ligue 180 Roraima antes que a violência física se torne letal.
Márcia Lopes enfatizou que o controle psicológico, as ameaças e as agressões verbais são sinais de alerta que a rede de proteção precisa identificar com agilidade. O objetivo do pacto estadual é garantir que, ao primeiro sinal de risco, a mulher seja acolhida por um sistema de informações eficiente que conecte polícia, justiça e assistência social.
Redução nos índices de feminicídio e estupro em Roraima
Dados apresentados durante a agenda mostram um cenário de queda nos indicadores de violência extrema no estado. Entre janeiro e agosto de 2026, Roraima registrou três feminicídios, uma redução de 40% em comparação aos cinco casos ocorridos no mesmo período de 2025. As tentativas de feminicídio também recuaram 22%, caindo de 27 para 21 registros.
No âmbito dos crimes sexuais, os números apresentam uma estabilidade com leve viés de queda. Foram 82 casos de estupro contra mulheres em 2026 (contra 84 em 2025) e 277 casos de estupro de vulneráveis (contra 279 no ano anterior). Apesar da melhora estatística, a ministra alertou que os números não podem gerar complacência. A análise deve focar em quem são essas mulheres e por que a rede de proteção à mulher ainda não alcançou todas as que estão em situação de risco invisível.
Avanços nas medidas protetivas de urgência
Um dos pontos altos da gestão federal destacados em Boa Vista foi a celeridade na justiça. O tempo médio para a concessão de medidas protetivas de urgência, que antes chegava a 16 dias, caiu para cerca de 48 horas em nível nacional. Em Roraima, o atendimento tem sido ainda mais direto: muitas mulheres conseguem a proteção judicial no mesmo dia em que buscam ajuda.
"As medidas protetivas dão a condição para as mulheres serem atendidas e identificadas. Cabe a cada órgão saber se o sistema de informação funciona bem para garantir que essa proteção seja real", explicou a ministra. Vale lembrar que, conforme as atualizações recentes na Lei Maria da Penha, a concessão da medida não depende mais de boletim de ocorrência ou inquérito policial, bastando o relato de risco da vítima perante a autoridade.
Operação Mulher Segura e Patrulha Maria da Penha em Roraima
O pacto estadual contra violência proposto ganha corpo com os resultados da Operação Mulher Segura. No estado, a iniciativa já resultou em 239 prisões de agressores, sendo a esmagadora maioria (91%) em flagrante. Os crimes mais comuns que geraram as prisões foram lesão corporal e ameaça, seguidos por crimes contra a honra e estupro.
Em Boa Vista, o trabalho da Patrulha Maria da Penha é um pilar fundamental. Desde 2016, mais de 15 mil mulheres foram acompanhadas pela unidade municipal. Somente nos últimos cinco anos, foram realizadas quase 69 mil visitas de monitoramento, resultando em 292 prisões por descumprimento de ordens judiciais. A ministra questionou a necessidade de maior uso de tecnologia, como tornozeleiras eletrônicas, para garantir que os agressores mantenham a distância determinada pela justiça.
Contexto local: O caso Telma de Mello Faria
A urgência do Ministério das Mulheres em Roraima também é motivada por casos recentes que chocaram a opinião pública, como o feminicídio de Telma de Mello Faria, ocorrido em 16 de setembro em Boa Vista. Mesmo tendo buscado a rede de proteção dias antes, ela foi morta pelo ex-marido. Para Márcia Lopes, casos como este reforçam que a medida protetiva no papel precisa ser acompanhada de um acolhimento humano e técnico capaz de neutralizar o agressor antes do ataque.
Serviço de Apoio à Mulher em Roraima
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, não espere a situação escalar. O enfrentamento à violência contra as mulheres em Roraima conta com canais de denúncia e acolhimento imediato:
- Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (Gratuito, 24 horas, anônimo).
- Casa da Mulher Brasileira (Boa Vista): Rua Juvêncio de Menezes, s/n, Centro. Atendimento multidisciplinar com delegacia, defensoria e assistência social no mesmo local.
- Emergência Policial: Ligue 190.
Fonte: Folha BV · publicado originalmente em 23/09/2026 às 12:13 (horário de Boa Vista).
Receba as notícias de Roraima no WhatsApp
Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.
Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.
