MUNDO

    Movimento das baratas ganha força com protestos na Índia

    Jovens indianos da Geração Z intensificam manifestações contra a autoridade eleitoral, desafiando detenções em massa em Nova Déli e Mumbai.

    FONTE: G112 de outubro de 2026
    Manifestantes do movimento das baratas participam de protesto contra autoridade eleitoral na Índia
    Reprodução: G1

    O surgimento do movimento das baratas na política indiana

    Uma nova onda de agitação social tomou conta da Índia neste fim de semana, com o chamado "Partido do Povo Barata" (CJP) levando milhares de jovens às ruas de Mumbai e Nova Déli. O grupo, formado majoritariamente pela Geração Z, protesta contra a gestão da Comissão Eleitoral do país, exigindo a renúncia do Comissário-Chefe, Gyanesh Kumar.

    O movimento ganhou contornos políticos após o presidente do Supremo Tribunal indiano utilizar o termo pejorativo "barata" para se referir a jovens ativistas e jornalistas desempregados. Embora a Corte tenha posteriormente tentado contextualizar a fala, alegando que o alvo eram indivíduos com "diplomas fraudulentos", o rótulo foi adotado pela juventude como um símbolo de resistência e identidade política.

    Por que os jovens exigem reformas eleitorais na Índia?

    O CJP, que não possui registro formal como partido, foca suas pautas em reformas eleitorais urgentes. A principal crítica dos manifestantes, apoiada por setores da oposição, é a alegação de manipulação nas listas de eleitores. Os jovens afirmam que o processo de atualização dessas listas é tendencioso, facilitando a exclusão indevida de cidadãos.

    Em contrapartida, a Comissão Eleitoral e o governo indiano negam qualquer irregularidade. Segundo as autoridades, o procedimento de revisão é uma tarefa de rotina essencial para remover eleitores falecidos, registros duplicados ou cidadãos que se tornaram inelegíveis, rechaçando as acusações de desvio de conduta.

    Detenções e repressão aos protestos da Geração Z

    A resposta das forças de segurança foi ostensiva. Relatos da imprensa local indicam que cerca de 7.000 pessoas foram detidas no último sábado (10), com centenas de novas prisões registradas no domingo (11). Estradas foram bloqueadas e barricadas foram montadas para conter o avanço do movimento das baratas em grandes centros urbanos.

    Entre os detidos esteve o fundador do movimento, Abhijeet Dipke, interceptado por agentes ao chegar em Nova Déli no sábado. Ele foi liberado no dia seguinte por um tribunal de primeira instância, sob a estrita condição de que não perturbe a ordem pública durante o próximo ano. Ao deixar a custódia, Dipke afirmou que o grupo não recuará, reforçando a insatisfação da juventude indiana com a atual administração do primeiro-ministro Narendra Modi.

    O cenário político indiano permanece tenso, especialmente com a proximidade de eleições estaduais que são consideradas estratégicas para o futuro do país. O movimento das baratas, agora sob vigilância rigorosa, sinaliza que a insatisfação da juventude indiana com a transparência do sistema eleitoral continuará sendo um ponto de fricção crítica nas próximas semanas.

    Fonte: G1 · publicado originalmente em 11/10/2026 às 23:00 (horário de Boa Vista).

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