TECNOLOGIA

    Mudanças climáticas preocupam mais que desemprego no Brasil

    Levantamento inédito indica que 41% dos brasileiros veem a crise climática como a maior ameaça futura, embora a desinformação sobre fake news permaneça elevada.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL04 de outubro de 2026
    Gráfico sobre as preocupações com mudanças climáticas e o impacto das fake news no Brasil em relatório do Instituto Oyá.
    Reprodução: Agência Brasil

    Mudanças climáticas e o futuro do Brasil

    Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Oyá, em parceria com a Ipsos, revelou que as mudanças climáticas ocupam o topo das preocupações dos brasileiros em relação ao futuro, superando inclusive o medo da perda de emprego. A pesquisa, que ouviu 2 mil pessoas, aponta que 41% dos entrevistados identificam o desequilíbrio do clima como a ameaça mais significativa para si e para suas famílias.

    Por que o brasileiro teme as mudanças climáticas?

    Embora a preocupação com o meio ambiente seja predominante quando o foco é o longo prazo, o cenário muda ao se questionar sobre as angústias imediatas do cotidiano. Nesse contexto, a pauta ambiental cai para a nona posição (14%), com ameaças diretas à natureza ocupando o décimo lugar (10%). Com esses dados, o Brasil figura na 20ª colocação entre as nações mais preocupadas globalmente.

    O impacto da desinformação e das fake news

    Um dado que chamou a atenção da diretora executiva do Instituto Oyá, Camila Kamilo, é que 78% dos brasileiros admitem dificuldade em distinguir notícias verdadeiras de fake news, especialmente em eventos climáticos extremos. A vulnerabilidade digital é amplificada pelo temor das tecnologias de inteligência artificial: 81% dos entrevistados receiam que deepfakes sejam utilizadas para manipular informações e imagens.

    "O brasileiro não é negacionista na sua maioria. Ele está desinformado", pontua Kamilo. O estudo também destaca um paradoxo na confiança institucional: enquanto 67% da população confiam em inovações tecnológicas, 65% desconfiam das ações governamentais.

    A necessidade de educação e engajamento social

    A pesquisa aponta que o engajamento em causas climáticas tem ocorrido de forma superficial através das redes sociais, sem traduzir-se em mobilização presencial. Para combater a desinformação, a diretora defende a adoção de novas políticas públicas de comunicação e a valorização de organizações da sociedade civil (ONGs), que hoje contam com a confiança de 45% dos brasileiros.

    O cenário político também reflete esse distanciamento: 39% dos entrevistados descartam atuar em partidos ou campanhas políticas, e 33% rejeitam a participação em protestos de rua. O fortalecimento da imprensa profissional, que realiza a checagem rigorosa de dados, é apontado como um pilar fundamental para garantir que a sociedade brasileira tenha acesso a informações verídicas em meio a tantas incertezas econômicas e ambientais.

    Para mais informações sobre como checar dados ambientais, a população pode acompanhar as atualizações da Agência Brasil e de institutos de pesquisa que colaboram com o monitoramento de dados climáticos oficiais.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 03/10/2026 às 07:19 (horário de Boa Vista).

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