MUNDO

    OMS revela que dois em cada três jovens europeus sofreram abusos

    Um estudo da OMS com 26 mil jovens europeus revela que 66% sofreram abusos, negligência ou violência, destacando uma crise social urgente.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL06 de outubro de 2026
    Gráfico representando estatísticas de abuso na infância em jovens europeus conforme relatório da OMS
    Reprodução: Agência Brasil

    Impactos da violência na infância segundo a OMS

    Um levantamento inédito divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que dois em cada três jovens europeus relatam ter sido vítimas de abusos, negligência, violência doméstica ou outras experiências adversas durante a infância. O estudo, que traz dados preocupantes sobre o bem-estar da nova geração, foi realizado com 26 mil pessoas entre 18 e 30 anos, abrangendo países da União Europeia, além da Noruega e da Islândia.

    Os dados, coletados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, indicam que a escala do problema é abrangente. Aproximadamente um em cada cinco entrevistados confessou ter vivenciado quatro ou mais tipos de traumas precoces. Destes, 76,3% afirmaram que precisaram buscar apoio profissional voltado à saúde mental para lidar com as sequelas do passado.

    Quais as consequências dos abusos sofridos na infância?

    O relatório da OMS destaca que o ciclo de violência é complexo. Jovens que relataram traumas infanto-juvenis apresentam uma probabilidade significativamente maior de sofrerem novas agressões e, em muitos casos, de se tornarem autores de violência. Além disso, o histórico de abuso na infância está diretamente ligado a episódios de ciberbullying, que ganharam proporções alarmantes nos últimos anos.

    A exposição constante a ambientes hostis gera efeitos de longo prazo na vida socioeconômica desses indivíduos. Segundo a organização, há uma correlação direta entre essas experiências adversas e o aumento do risco de abandono escolar, desemprego e a permanência em agregados familiares de baixa renda. O sentimento de desconfiança em relação aos outros e a falta de integração comunitária também são reflexos comuns observados nos participantes da pesquisa.

    A necessidade de políticas públicas integradas

    Natasha Azzopardi-Muscat, diretora de Sistemas de Saúde da OMS Europa, reforçou que o fenômeno não deve ser tratado como uma questão isolada ou restrita apenas aos serviços de saúde mental. "Quando uma criança cresce num ambiente de violência ou num lar em crise, não nos deve surpreender que essas experiências a acompanhem anos mais tarde na escola, no mercado de trabalho e nas suas relações", pontuou.

    Para a OMS, o cenário exige uma resposta multisetorial. A organização apelou para que governos e autoridades adotem medidas enérgicas no combate à pobreza, à exclusão social e à violência estrutural. A recomendação principal é que os sistemas de saúde, educação e justiça sejam integrados para identificar precocemente sinais de trauma e oferecer intervenções capazes de interromper o ciclo de abusos antes que ele atinja as próximas gerações.

    A Agência Brasil ressalta que esse monitoramento contínuo é essencial para que políticas de proteção social sejam mais eficazes, garantindo que o suporte chegue às comunidades mais vulneráveis, onde o risco de reincidência de violência é estatisticamente mais elevado.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 06/10/2026 às 10:01 (horário de Boa Vista).

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