Operação Auctoritas em Roraima investiga esquema de compra de votos na Defensoria Pública
Polícia Federal cumpre mandados em Boa Vista e Rorainópolis para desarticular esquema que envolvia pressão sobre servidores e oferta de dinheiro por votos em benefício de candidatos.
PF investiga assédio eleitoral e desvio de salários na Defensoria Pública de Roraima
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã deste sábado (26), a Operação Auctoritas em Roraima. A ação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar a estrutura da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) para promover compra de votos e assédio eleitoral. A investigação aponta que servidores eram pressionados a apoiar candidatos específicos e a financiar campanhas com parte de seus próprios rendimentos.
As ordens judiciais, expedidas pela Justiça Eleitoral, resultaram no cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Boa Vista e Rorainópolis. O foco da operação é colher provas sobre o esquema que beneficiaria um candidato a deputado estadual e um candidato à reeleição para a Câmara Federal, ambos com ligações políticas com a estrutura da Defensoria.
Como funcionava o esquema na Defensoria Pública de Roraima
De acordo com as investigações da PF, a estrutura pública era utilizada para constranger servidores, especialmente aqueles em cargos comissionados, e aliciar eleitores. O esquema de compra de votos na Defensoria Pública de Roraima operava em três frentes principais:
- Extorsão e pressão financeira: Servidores eram supostamente obrigados a repassar R$ 1 mil de seus salários mensais para o caixa de campanha, além da entrega compulsória de duas cestas básicas.
- Controle de metas via WhatsApp: Grupos de mensagens eram utilizados para cobrar o comparecimento de convidados em reuniões políticas. A meta imposta era de 100 pessoas por evento, e faltas deveriam ser justificadas diretamente aos superiores.
- Aliciamento de eleitores: No interior do estado, o esquema oferecia R$ 1 mil por voto de cada integrante de famílias que entregassem cópias de seus documentos, além da distribuição de produtos domésticos.
WhatsApp era usado para cobrar metas de reuniões políticas
As provas obtidas pela Polícia Federal incluem diálogos em aplicativos de mensagens que revelam o tom intimidatório das cobranças. Coordenadores do esquema monitoravam em tempo real quem enviava a lista de confirmados para os eventos políticos. Mensagens como "Mandem a lista!" e "Tô acompanhando aqui" demonstravam o controle rígido sobre os subordinados.
A investigação da Polícia Federal em Roraima aponta que o assédio eleitoral em Boa Vista e cidades vizinhas utilizava o temor da perda do cargo público para garantir a adesão dos servidores às atividades de campanha. Embora a estrutura da DPE-RR estivesse sendo usada, os candidatos beneficiados não foram alvos diretos de mandados nesta fase da operação.
Consequências jurídicas e continuidade das investigações
A Operação Auctoritas em Roraima marca uma etapa crucial no combate aos crimes eleitorais no estado. Os materiais apreendidos, que incluem documentos e dispositivos eletrônicos, passarão por perícia técnica. O objetivo é identificar outros envolvidos e confirmar o volume financeiro movimentado pelo desvio de salário de servidores DPE-RR.
O caso segue sob segredo de justiça em relação a nomes específicos, mas os crimes investigados incluem corrupção eleitoral ativa, assédio eleitoral e possível peculato, caso se confirme o uso sistemático de verbas ou cargos públicos para fins particulares de campanha. A Defensoria Pública de Roraima ainda não emitiu uma nota oficial detalhada sobre o envolvimento de seus quadros diretivos no caso.
Para o cidadão que deseja denunciar práticas de assédio eleitoral ou compra de votos, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) disponibiliza o aplicativo Pardal e o Ministério Público Eleitoral mantém canais de denúncia anônima ativos durante todo o período das Eleições 2026.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 26/09/2026 às 07:18 (horário de Boa Vista).
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