NACIONAL

    Operação Carbono Oculto: Fraude bilionária no setor de combustíveis é alvo em SP

    A terceira fase da Operação Carbono Oculto investiga o uso de fintechs e usinas para lavar R$ 11 bilhões e ocultar a compra de uma grande distribuidora de combustíveis por organizações criminosas.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL24 de setembro de 2026
    Agentes da Polícia Federal em ação contra esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis em São Paulo.
    Reprodução: Agência Brasil

    O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e com apoio da Polícia Federal, deflagrou nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação visa desmantelar um complexo esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que teria movimentado cerca de R$ 11 bilhões para viabilizar a compra de uma das maiores distribuidoras do país por grupos criminosos.

    De acordo com as autoridades, a estrutura criminosa utilizava uma rede de empresas e fintechs para ocultar o controle real de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, adquirir a distribuidora. O objetivo era conferir aparência de legitimidade a transações financeiras vultosas, dificultando o rastreamento dos beneficiários finais e a origem ilícita dos recursos.

    Como funcionava o esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis?

    A investigação identificou que a organização criminosa operava em várias camadas para camuflar o patrimônio. Uma das operações ligadas à usina, no valor de R$ 370 milhões, foi realizada através dessa estrutura de fachada. O uso de fintechs foi estratégico para dar agilidade e anonimato às movimentações, burlando mecanismos tradicionais de fiscalização financeira.

    O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou nesta manhã que a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo conseguiram mapear a movimentação total de R$ 11 bilhões que passaram por essa "lavanderia" financeira. Segundo ele, o dinheiro do crime organizado era injetado no mercado de energia, gerando uma concorrência desleal com as empresas que operam dentro da legalidade.

    Alvos da operação e conexões com o sistema financeiro

    Entre os alvos da operação estão executivos de bancos e de gestoras de recursos, como a Entre Investimentos. A empresa é ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", que possui conexões com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, atualmente preso sob acusação de fraudes no sistema financeiro.

    "A Entre funcionou como instrumento de ocultação e lavagem de dinheiro para que essa usina pudesse adquirir uma distribuidora de combustível, ocultando a real propriedade de quem, de fato, passou a comandar o negócio", explicou Durigan. A distribuidora envolvida no caso já foi interditada por determinação judicial e de órgãos reguladores.

    O papel das fintechs na ocultação de patrimônio

    As fintechs foram fundamentais para a fragmentação dos valores. Ao utilizar plataformas digitais de pagamento, os criminosos conseguiam movimentar grandes quantias entre diversas contas de fachada antes que o montante fosse consolidado para a compra de ativos reais. Essa técnica visa saturar a capacidade de análise dos órgãos de controle com milhares de microtransações.

    Impacto da criminalidade no mercado para investidores de Roraima

    Embora a operação esteja concentrada em São Paulo, o impacto de esquemas dessa magnitude repercute em todo o território nacional, incluindo o mercado consumidor de Roraima. A entrada de capital ilícito no setor de combustíveis desequilibra os preços e prejudica a integridade da cadeia de suprimentos, afetando desde o grande investidor até o consumidor final em Boa Vista.

    A fiscalização financeira para investidores de Roraima torna-se ainda mais relevante diante de tais revelações, reforçando a necessidade de auditorias rigorosas em parcerias comerciais no setor energético. As autoridades continuam os trabalhos para identificar outros envolvidos e recuperar os ativos desviados pelo grupo criminoso.

    Para garantir a segurança jurídica em transações comerciais e verificar a regularidade de empresas do setor, cidadãos e empresários podem consultar o Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) ou o portal de transparência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 24/09/2026 às 08:47 (horário de Boa Vista).

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