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    PF intima Galípolo e Campos Neto em investigação sobre o Banco Master

    A Polícia Federal determinou a intimação da cúpula do Banco Central e do banqueiro André Esteves como testemunhas em inquérito que apura irregularidades na supervisão do Banco Master.

    REDAÇÃO20 de setembro de 20263 min de leitura
    Gabriel Galípolo e Campos Neto
    Adriano Machado

    Cúpula do Banco Central e André Esteves são intimados pela Polícia Federal

    A Polícia Federal (PF) determinou, por meio de ofício assinado em 3 de agosto, a intimação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. A medida faz parte das investigações sobre a fiscalização do Banco Master. Além deles, foram chamados a depor o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, e o dono do BTG Pactual, André Esteves. Todos os citados prestarão depoimento na condição de testemunhas, sob compromisso legal de dizer a verdade.

    A investigação, confirmada por veículos de imprensa nacional nesta quarta-feira (9), busca esclarecer a atuação do Banco Central em relação ao Banco Master antes de sua liquidação, prevista para o fim de 2025 devido ao agravamento de uma crise institucional. O inquérito foca na relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e servidores do BC suspeitos de receber vantagens indevidas para beneficiar a instituição financeira.

    Entenda o inquérito da PF sobre a fiscalização do Banco Master

    O processo investiga se houve favorecimento ao Banco Master por parte de dois servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento de supervisão bancária. Ambos foram afastados de suas funções em março por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

    De acordo com as apurações da PF, os servidores teriam fornecido orientações estratégicas ao banco e vazado informações sigilosas para que Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, se antecipasse às medidas regulatórias. Vorcaro cumpre prisão preventiva desde março de 2024, após ser alvo da Operação Compliance Zero.

    Defesa de Roberto Campos Neto e silêncio das instituições

    Em nota oficial, os advogados de Roberto Campos Neto, Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti, afirmaram que o ex-presidente do BC não foi formalmente intimado e criticaram o vazamento da informação. "É lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa sem que a defesa tivesse acesso ao despacho", declararam. O Banco Central e o BTG Pactual ainda não se manifestaram sobre as intimações.

    Depoimentos sobre Banco Master e suspeitas de corrupção

    Em depoimento prestado no final do mês passado, Daniel Vorcaro negou o pagamento de propinas, mas admitiu ter prestado um "agrado" a Paulo Sérgio Neves de Sousa, custeando parte de uma viagem da família do servidor para a Disney, nos Estados Unidos. A defesa do servidor, por sua vez, alega que todos os custos da viagem foram pagos com recursos próprios e que sua atuação no Banco Central sempre seguiu rigorosos padrões técnicos.

    O caso segue sob sigilo parcial no STF, e os novos depoimentos de Galípolo, Campos Neto e Esteves devem ajudar a PF a entender se as falhas na supervisão foram pontuais ou se houve negligência institucional generalizada na condução do processo envolvendo o Banco Master.

    Contexto e próximos passos: O inquérito é acompanhado de perto pelo mercado financeiro e investidores, dado o peso das autoridades envolvidas. A Polícia Federal deve agendar as datas das oitivas nos próximos dias, respeitando as prerrogativas de cargo dos intimados.

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