PF investiga elo entre Abin Paralela e amigo de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal rastreia anotações em celular de advogado que sugerem pagamento a ex-diretor da Abin em meio a investigações de monitoramento ilegal.
PF investiga elo entre Abin Paralela e amigo de Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal (PF) deu um novo passo nas investigações sobre a chamada "Abin Paralela". Documentos colhidos pelos investigadores apontam uma possível conexão financeira entre o ex-diretor de operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Maurício Fortunato, e o advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Entenda o caso da Abin Paralela
Fortunato é um dos nomes centrais no inquérito que apura a utilização da estrutura estatal de inteligência para o monitoramento ilegal de adversários políticos e autoridades durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-diretor, que ocupou cargos de alta hierarquia tanto no governo anterior quanto no início da atual gestão, foi indiciado sob suspeita de integrar organização criminosa e violação de sigilo funcional.
Vínculos financeiros sob análise
O foco atual da PF recai sobre anotações encontradas em um dispositivo eletrônico apreendido com Willer Tomaz. O advogado, que também é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro ao lado de Flávio Bolsonaro, teve seu celular periciado pelos agentes federais.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, os investigadores localizaram menções ao nome de Fortunato associadas a uma data específica, agosto de 2021, e ao montante de US$ 180 mil — o equivalente a cerca de R$ 900 mil em valores atuais. O registro também continha termos técnicos como "corregedoria" e "diretor de operações".
Defesa nega irregularidades
O advogado Willer Tomaz afirmou, por meio de nota, que foi procurado por Paulo Maurício Fortunato com a intenção de contratá-lo para sua defesa jurídica, mas que a proposta não foi aceita. O ex-diretor da Abin, por sua vez, nega qualquer conhecimento ou vínculo com o advogado. A Polícia Federal segue analisando os dados para verificar se o valor mencionado nas anotações possui relação com uma diligência ocorrida em 2023, onde foram apreendidos US$ 171 mil em espécie.
O inquérito, relatado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, continua em curso para esclarecer a origem dos recursos e a natureza das interações entre os envolvidos. A apuração é fundamental para compreender a extensão do uso indevido da inteligência brasileira nos últimos anos.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 21/10/2026 às 03:00 (horário de Boa Vista).
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