PF prende Jalser Renier por esquema milionário de compra de votos em Roraima
A Polícia Federal prendeu o candidato Jalser Renier nesta quinta-feira (1º) após descobrir planilhas que detalhavam pagamentos de até R$ 500 por voto, totalizando um esquema de R$ 4,2 milhões.
A Polícia Federal (PF) prendeu preventivamente o candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) nesta quinta-feira (1º), em Boa Vista, durante a Operação Lemming. A ação é desdobramento de uma investigação que revelou um complexo esquema de compra de votos Roraima, estruturado para beneficiar Renier e sua esposa, a candidata a deputada federal Dra. Taty (PSDB), nas eleições de 2026.
Como funcionava o esquema 'BU' de Jalser Renier em Roraima
As provas que sustentam a prisão foram localizadas pela Polícia Federal no dia 24 de setembro, escondidas em uma mochila no closet do candidato. Os agentes encontraram planilhas detalhadas que mapeavam o pagamento de até R$ 500 por eleitor, identificados sob a sigla "BU", uma referência direta à prática ilegal de "Boca de Urna".
Segundo o relatório da PF, o sistema era altamente profissionalizado, contendo colunas como "BU DEFINIDO", "QTD" e "TOTAL". Ao todo, os documentos contabilizavam 12.175 eleitores cadastrados e um orçamento previsto de R$ 4.228.100 para a compra de votos e o financiamento de lideranças políticas. Apenas para a reta final de setembro, o grupo havia reservado R$ 2.449.300 exclusivamente para pagamentos na data do pleito.
Investigação aponta incompatibilidade financeira e lavagem de dinheiro
Um dos pontos centrais da investigação eleitoral Boa Vista é a disparidade entre a renda declarada por Jalser Renier e o volume financeiro movimentado pelo esquema. Em depoimento anterior à PF, o político afirmou possuir uma renda mensal de apenas R$ 6.800 como servidor público, valor considerado totalmente incompatível com os R$ 4,2 milhões planejados para a campanha.
As planilhas foram descobertas inicialmente durante a Operação Filargíria, que apurava crimes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos. No quarto do candidato, além dos documentos, foram apreendidos R$ 19,1 mil em espécie. Ao ser questionado sobre a origem e destino do dinheiro e das anotações, Jalser Renier optou por permanecer em silêncio.
Coordenadores e familiares envolvidos na Operação Lemming
A estrutura criminosa contava com pelo menos 23 pessoas identificadas, sendo seis coordenadores principais que gerenciavam fatias específicas do eleitorado em diferentes municípios. Entre os alvos de busca e apreensão está Itelvina da Costa Padilha, mãe de Jalser, que aparecia nas planilhas como intermediária de cotas no valor de R$ 14 mil.
Outros nomes citados na investigação da Polícia Federal Roraima eleições incluem:
- Rosilany Stefanello: Coordenadora de campanha, com R$ 313,8 mil bloqueados judicialmente.
- Marcio Jose Bergmann: Responsável pelo esquema no Cantá, com bloqueio de R$ 180 mil.
- Daniel Cavalcante Rigo: Coordenador em Caracaraí, com R$ 250 mil bloqueados.
- Rosineide Araujo Xavier e João dos Santos Moura: Operadores em Boa Vista, com bloqueios que somam R$ 160 mil.
Jalser Renier, que teve o mandato de deputado cassado em 2022 por quebra de decoro parlamentar, disputa a atual eleição amparado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a defesa do candidato afirmou que está adotando as medidas legais cabíveis para restabelecer sua liberdade. A defesa das demais citadas informou que aguarda a conclusão das diligências.
O caso segue sob análise da Justiça Eleitoral de Roraima, que poderá determinar a cassação do registro de candidatura caso as irregularidades sejam confirmadas no julgamento do mérito.
Fonte: G1 · publicado originalmente em 02/10/2026 às 08:00 (horário de Boa Vista).
Receba as notícias de Roraima no WhatsApp
Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.
Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.
