PGR questiona afastamento de diretor-geral da Polícia Federal
A Procuradoria-Geral da República formalizou ao STF sua posição contrária ao afastamento da cúpula da Polícia Federal, apontando ausência de elementos probatórios.
PGR avalia afastamento de diretor-geral da Polícia Federal
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de terça-feira (13), a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida, que também abrangeu o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, foi considerada pela cúpula do Ministério Público Federal como carente de elementos que a justifiquem.
A manifestação, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo vice-PGR, Hildebrando Chateaubriand, e pelos subprocuradores-gerais Antônio Teixeira e André Ramos, reforça que a simples posição hierárquica não pode servir como base para a responsabilização de servidores por possíveis irregularidades.
Por que a PGR contesta a decisão do STF?
Segundo o documento, para que uma medida drástica como o afastamento de autoridades policiais seja aplicada, é necessária a apresentação de evidências robustas de condutas ilícitas. A PGR argumenta que a decisão impugnada não apresentou provas específicas que conectassem os diretores a atos suspeitos, o que, no entendimento do órgão, fragiliza a fundamentação jurídica do afastamento.
Além da falta de provas concretas, a Procuradoria alertou para os desdobramentos negativos da decisão. Para o órgão, o afastamento da cúpula da PF produz efeitos que extrapolam o processo específico da Operação Compliance Zero, gerando um potencial risco à ordem pública e à continuidade das atividades policiais.
Entenda o caso da Operação Compliance Zero
O imbróglio jurídico teve início em 8 de setembro, quando o ministro do STF André Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues e Almada. Na ocasião, o ministro alegou que ambos teriam participado de monitoramento ilícito e produção de relatórios de inteligência apócrifos sem autorização judicial. A decisão ocorreu sem o parecer prévio da PGR.
O cenário ganhou novos capítulos nos dias seguintes: a medida foi revertida pelo ministro Flávio Dino, que citou riscos às investigações em curso. Posteriormente, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, anulou tanto a decisão de afastamento quanto a de reintegração, buscando pacificar a situação. A Operação Compliance Zero, que motiva o litígio, investiga fraudes financeiras bilionárias e corrupção envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cuja instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central por gestão temerária.
A PGR reforça que, para o prosseguimento das investigações, é indispensável que a apuração de irregularidades siga os ritos processuais com a devida comprovação de atos específicos, garantindo a lisura dos procedimentos administrativos e judiciais que envolvem a cúpula da segurança pública nacional.
Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 14/10/2026 às 08:46 (horário de Boa Vista).
Receba as notícias de Roraima no WhatsApp
Entre no grupo do RORAIMA ON: as principais notícias do dia direto no seu celular. Você sai quando quiser.
Ou mande QUERO para (95) 9 9116-9844 e receba o link por lá.
