Plano de Flávio Bolsonaro contra demarcações ameaça terras indígenas
Candidato do PL afirma que não homologará novas reservas caso eleito, colocando em risco processos de regularização fundiária de 286 territórios em todo o Brasil.
Impactos da política de demarcações de terras indígenas
O cenário para a política indigenista no Brasil pode sofrer uma mudança drástica caso o candidato Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições no próximo dia 25 de outubro de 2026. A promessa de campanha de suspender novas demarcações de terras indígenas coloca em xeque a regularização de 286 territórios que atualmente possuem processos em trâmite nos órgãos federais.
Quais áreas podem ser afetadas pelo bloqueio de terras?
De acordo com dados levantados, o contingente de áreas sob risco inclui 45 terras já delimitadas com estudos aprovados pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e outras 73 áreas declaradas, que já possuem portaria do Ministério da Justiça reconhecendo seus limites. Além desse grupo, 168 áreas encontram-se em fase inicial de levantamento e identificação.
O posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre reservas
Em eventos públicos, como na feira Norte Show em Sinop (MT), realizada em abril deste ano, o candidato foi enfático ao declarar a produtores rurais que, sob sua gestão, não haveria avanço nas demarcações de terras indígenas. A postura reflete a continuidade da política adotada durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, que também não homologou novas reservas durante seu mandato.
Consequências para o Ministério dos Povos Indígenas
O atual ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, expressou preocupação com a possível vitória do candidato do PL. Segundo o gestor, o cenário ameaça não apenas a continuidade de processos em estágio avançado — incluindo oito terras prontas para assinatura de decreto presidencial e 20 aguardando portarias declaratórias —, mas também abre margem para tentativas de reverter atos já consolidados pela atual administração.
A equipe de reportagem, em consulta realizada desde o dia 13, buscou esclarecimentos junto à campanha de Flávio Bolsonaro sobre como o governo lidaria com a exploração de terras já homologadas e o destino dos processos administrativos, porém não obteve retorno até o fechamento desta edição. A incerteza jurídica sobre a posse dessas terras deve ser um dos temas centrais nas discussões sobre o futuro da gestão ambiental e fundiária do país nas próximas semanas.
Para acompanhar o status oficial de processos administrativos de terras indígenas e entender as etapas de regularização fundiária no Brasil, cidadãos e pesquisadores podem consultar o portal da Funai ou o sistema de transparência pública do governo federal, onde são disponibilizados os editais e relatórios técnicos de cada área em estudo.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 20/10/2026 às 05:00 (horário de Boa Vista).
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