MUNDO

    Presidenta da Capes na Unesco: Denise Pires de Carvalho assume vice-diretoria

    Denise Pires de Carvalho fará história como a primeira brasileira a ocupar a vice-diretoria de Ciências da Unesco, reforçando a presença da ciência nacional no cenário global.

    FONTE: AGÊNCIA BRASIL29 de setembro de 2026
    Denise Pires de Carvalho, a nova presidenta da Capes na Unesco, em registro oficial de liderança científica.
    Reprodução: Agência Brasil

    A cientista Denise Pires de Carvalho, atual gestora da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, fará história ao assumir, nos próximos dias de setembro de 2026, o cargo de Vice-Diretora-Geral de Ciências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A nomeação marca a primeira vez que o Brasil ocupa essa cadeira estratégica desde a fundação da ONU, em 1945, consolidando a influência da Presidenta da Capes na Unesco.

    A indicação foi celebrada pela comunidade científica internacional. Ao formalizar o convite, a Unesco destacou a vasta experiência de Denise em liderança acadêmica, gestão de pesquisa e avaliação de programas de cooperação científica. A organização ressaltou que o trabalho da brasileira tem sido fundamental para abordar dimensões sociais da ciência, com foco em acesso equitativo, igualdade de gênero e governança inclusiva.

    Trajetória da presidenta da Capes na Unesco e a liderança global

    Denise Pires de Carvalho chega à entidade sediada em Paris com a missão de expandir o modelo de internacionalização que implementou no Brasil. Em declaração à Agência Brasil, a cientista afirmou que sua atuação será pautada pelo multilateralismo e por uma ciência voltada para o desenvolvimento humano. A meta é fortalecer a ciência brasileira no exterior e promover a integração entre nações em desenvolvimento.

    “Nesses últimos anos, o que o Brasil e a Capes fizeram foi defender a interação sul-sul na pós-graduação. Queremos internacionalizar cada vez mais os programas do país, interagindo com a América Latina, o Caribe e a África, além das cooperações tradicionais que já mantemos”, destacou Denise. Para pesquisadores de Roraima e de outras regiões da Amazônia, essa liderança pode representar novos canais de fomento e parcerias internacionais para estudos sobre biodiversidade e sustentabilidade.

    Como a ciência brasileira no exterior ganha força com a nomeação

    A Diretoria-Geral para Ciências da Unesco é o braço responsável por implementar programas globais nas áreas de Ciências Naturais, Sociais e Humanas. Sob a gestão da primeira brasileira vice-diretora da Unesco, a pasta também cuidará de recomendações éticas sobre Inteligência Artificial, um dos temas mais sensíveis da atualidade tecnológica.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) manifestou confiança de que a presença de Denise contribuirá para a promoção da paz e da sustentabilidade através do conhecimento. A cientista, que é médica e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já havia quebrado barreiras em 2019, quando se tornou a primeira mulher reitora daquela instituição.

    O papel da educação superior na soberania do país

    Defensora ferrenha do investimento público, Denise reforça que o desenvolvimento nacional está intrinsecamente ligado à força das universidades. “Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação. Não há país independente sem ciência”, afirmou. Ela reitera que a cooperação científica internacional Brasil é o caminho para que o país alcance o patamar das nações mais desenvolvidas do globo.

    Sua trajetória inclui ainda passagens como Secretária de Educação Superior do MEC e a presidência do Conselho Científico do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), da França. Agora, na Unesco, ela terá o desafio de coordenar políticas que afetam diretamente a equidade no acesso ao saber científico em escala mundial.

    Para o setor educacional brasileiro, a nomeação é vista como um reconhecimento técnico e político da liderança feminina na ciência brasileira, abrindo precedentes para que mais pesquisadores do país ocupem postos de decisão em organismos multilaterais.

    Fonte: Agência Brasil · publicado originalmente em 29/09/2026 às 15:53 (horário de Boa Vista).

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