Procuradoria investiga Andrei Rodrigues, chefe da Polícia Federal
O MPF instaurou investigação para apurar a conduta de Andrei Rodrigues em entrevista sobre a Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.
Procuradoria investiga Andrei Rodrigues por suposta quebra de sigilo
O Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma apuração para verificar a conduta do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O foco da investigação é determinar se o chefe da corporação divulgou informações protegidas por sigilo durante uma entrevista concedida no ano passado, no contexto da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades envolvendo descontos associativos no INSS.
A abertura do procedimento foi oficializada nesta segunda-feira (19) no Diário Oficial do Ministério Público Federal. A polêmica teve origem em uma entrevista de Rodrigues ao portal ICL Notícias, realizada em abril de 2023, logo após a deflagração da primeira fase da operação.
O que foi dito sobre o caso envolvendo o irmão de Lula?
Durante a entrevista, o diretor-geral afirmou publicamente que José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não figurava como alvo da investigação. Frei Chico atua como vice-presidente de um dos sindicatos que foram objeto das diligências da PF no caso das fraudes previdenciárias.
A declaração foi o estopim para uma representação que solicitava a abertura de uma ação de improbidade administrativa contra o chefe da Polícia Federal. No entanto, o procurador da República, Gabriel Pimenta, responsável pelo caso, manifestou-se pelo arquivamento da apuração.
Por que o MPF pediu o arquivamento da investigação?
Em sua justificativa técnica, o procurador Pimenta argumentou que as falas de Andrei Rodrigues limitaram-se a esclarecer fatos já consumados na fase ostensiva da Operação Sem Desconto. Segundo o membro do Ministério Público, não houve, naquele momento, a antecipação de estratégias investigativas futuras ou o comprometimento de diligências que ainda estariam sob sigilo.
"Cuida-se de informação não sigilosa relacionada a medidas já realizadas", pontuou o procurador, reforçando que a manifestação não colocou em risco a segurança das investigações conduzidas pela PF. Até o fechamento desta matéria, a assessoria de comunicação da Polícia Federal informou que não comentará o procedimento ou as declarações do seu diretor-geral.
O caso segue agora os ritos internos do órgão ministerial para a confirmação do arquivamento, enquanto a gestão da Polícia Federal mantém o foco nas apurações em curso sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 20/10/2026 às 16:50 (horário de Boa Vista).
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