PT pede cassação de chapa de Flávio Bolsonaro ao TSE
Ação de investigação judicial eleitoral aponta uso indevido de redes sociais e esquema de criptomoedas para impulsionar candidatura presidencial.
PT aciona TSE contra chapa de Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Lula (PT) protocolou, nesta sexta-feira (9), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo jurídico é a cassação da chapa do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devido ao suposto uso irregular das redes sociais de Pablo Marçal para a disseminação de propaganda eleitoral e informações falsas.
O documento, que repercute em todo o cenário político nacional e gera atenção inclusive em estados como Roraima, alega que a estrutura digital utilizada configura abuso de poder econômico. A petição solicita a suspensão liminar do perfil de Marçal no Instagram, conta que possui mais de 14 milhões de seguidores e tem sido um canal central de divulgação da campanha.
Por que o PT questiona o uso dos perfis de Pablo Marçal?
Segundo os advogados da coligação petista, a irregularidade reside na ausência de notificação ao TSE sobre a integração oficial do ex-candidato à prefeitura de São Paulo à campanha de Flávio. O anúncio da aliança ocorreu em 29 de setembro, mas a formalização não seguiu os trâmites exigidos pela legislação eleitoral.
A lei prevê que perfis oficiais de campanha estão sujeitos a restrições específicas, como a proibição de recomendações algorítmicas. No caso de Marçal, o conteúdo continua sendo impulsionado pelo algoritmo, o que, para a acusação, caracteriza uma vantagem indevida e falta de transparência com o eleitorado.
Investigação sobre o site B22token
Além das redes sociais, a ação petista mira o site B22token. O portal é acusado de oferecer criptomoedas como recompensa para usuários que compartilham mensagens e vídeos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro. O mecanismo, originalmente reportado pela Folha de S.Paulo, está sendo investigado sob a suspeita de abuso do poder econômico para distorcer a influência nas plataformas digitais.
Até o momento, a assessoria de Pablo Marçal e a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestaram oficialmente sobre o protocolo da ação no TSE. Em ocasiões anteriores, a equipe do candidato do PL negou qualquer vínculo com o esquema de ativos digitais e indicou que tomaria medidas judiciais para contestar as acusações sobre as páginas.
A decisão final sobre o pedido de liminar e o prosseguimento da Aije caberá ao relator sorteado no Tribunal Superior Eleitoral. A Justiça Eleitoral reforça, neste pleito, o rigor quanto ao uso de impulsionamento e propaganda digital, buscando garantir a igualdade de condições entre os concorrentes e a lisura do processo democrático.
Fonte: Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 09/10/2026 às 12:15 (horário de Boa Vista).
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